Atração de festival de jazz, George Israel fala de paixão pelo gênero

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Ruas do Leblon vão trocar o ronco dos motores e buzinas por música neste sábado. O Itaipava Premium Leblon Jazz Festival vai fechar a Rua Dias Ferreira, no trecho entre a Aristides Espínola e Ataulfo de Paiva. O evento é gratuito. Quinze mil pessoas são esperadas para 10 de música.

A programação começa às 14h com Bárbara Ohana, e segue com o grupo Bonde Som - formado por jovens músicos amantes da música instrumental -, às 15h30. O músico George Israel, integrante do Kid Abelha, é a atração a partir das 17h30 e, às 19h30, o guitarrista Celso Blues Boy encerra o evento.

Apesar de, a princípio, parecer um estranho no ninho em um festival de jazz, George Israel justificou ao JB Online sua presença e revelou seus ídolos e sua paixão pelo gênero.

- Esse lance do conceito é muito relativo. Eu já toquei no festival de jazz de Montreux com os Paralamas, por exemplo. Acho que fui escalado para este evento no Leblon porque o meu som tem muito de blues, nem tanto nos meus discos solo, mas nos shows e nos arranjos. Tem um lado do show que tem a onda do improviso, das 'jams sessions', tão características do jazz - conta George.

Apesar de ter criado o grupo Midnight Blues Band nos anos 80 com Frejat e outros amigos músicos - provavelmente a primeira banda paralela dos músicos dessa geração -, sua história no grupo de pop rock Kid Abelha pode ter eclipsado seu lado jazzístico. Mas foi por causa do gênero que ele começou a estudar seu instrumento, o saxofone.

- Quando comecei, os professores puxavam para esse lado do jazz. Um primo me fez a cabeça para ouvir artistas como Oscar Peterson, Art Blakey, Joe Pass e Ella Fitzgerald. Eu era garoto, e normalmente esse tipo de música é mais difícil de digerir, então tem que ter alguem 'aplicando' mesmo - relembra Israel, destacando Sonny Rollins, Stan Getz e Paulo Moura (que foi seu professor) como seus maiores ídolos do sax.

- Na verdade, quem é interessado por música não fecha o ouvido para nada - garante.

George Israel também observa afinidades entre o Kid Abelha e o jazz.

- No grupo, mesmo sendo uma coisa pop, tem canções com harmonias sofisticadas e toques 'jazzy'. Eu vejo isso em músicas como Garotos e Os outros.

Além do Kid Abelha e de sua carreira solo, ele também integra os grupos Os Britos e Os Roncadores. Este último é uma banda com formação pouco usual, com três saxes e percussão.

- Para a apresentação no festival de jazz do Leblon seria interessante chamar Os Roncadores para uma participação especial. O repertório é super apropriado: inclui coisas de cinema, coisas 'saxofonísticas', como o tema da Pantera Cor de Rosa, Peter Gunn ou o tema do Sex And The City, além de Caravan, do Duke Ellington, por exemplo. Tem outros nomes também que devem aparecer para 'canjas' surpresas - adianta.

- Agora estou mais focado na carreira solo. Sou compositor, para mim a coisa autoral é muito forte. Adoro tocar Beatles, por exemplo, mas não gosto de ficar sem lançar algo de músicas inéditas. Compositor não pode ficar com a gaveta cheia! Meu estímulo para compor é as músicas serem gravadas, serem tocadas. A banda está entrosada, o show está crescendo - diz, empolgado.

George Israel vai se apresentar com amigos como o baterista Guto Goffi (Barão Vermelho e Os Britos) e o baixista Odeid Pomerancblum (que integrou Os Ronaldos, com Lobão). Apesar do entusiasmo com o vôo solo, ele garante que o Kid Abelha voltará em breve, em grande estilo.

- Eu e a Paula (Toller) lançamos discos solo e estamos fazendo shows, viajando, por isso o Kid Abelha ainda não tem uma data certa para voltar, mas vai voltar, pode esperar - garante.