'Projeto Cordas' leva instrumentistas virtuosos a Niterói

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Bandolim, guitarra e violão são as estrelas da segunda edição do Projeto Cordas, que acontece de sexta a domingo no Teatro da UFF, em Niterói. Os instrumentos serão empunhados pelos virtuosos Ronaldo do Bandolim (Trio Madeira Brasil), Alex Martinho e Marcel Powell. A trilha sonora: choro, rock e samba.

A primeira edição do Cordas, no ano passado, trouxe os guitarristas Victor Biglione, Hélio Delmiro e Paulinho Guitarra, além do baixista Bruce Henry. A repercussão do projeto promete longa vida à série, e já vem despertando a atenção de outros craques das cordas, como o Duofel, que já tem participação garantida na próxima edição.

Quem inaugura o projeto este ano, na sexta-feira, é Ronaldo do Bandolim, integrante do renomado Trio Madeira Brasil e um dos expoentes de seu instrumento. Ele vai apresentar um repertório baseado em clássicos do choro, acompanhado por violão, cavaquinho e pandeiro. Ronaldo conseguiu uma brecha na disputada agenda do Trio Madeira Brasil para realizar esta apresentação.

- Acabamos de tocar em Brasília, em julho vamos gravar um novo CD e depois partimos para a Europa - conta o bandolinista.

No sábado, o rock dá o tom na guitarra de Alex Martinho, músico experiente que transmite seus conhecimentos em shows e também em diversos workshops organizados pelas principais revistas especializadas, marcas de equipamentos e escolas de música do Brasil. Serão três guitarras no palco: também estão na banda os não menos virtuosos Sydnei Carvalho e Ricardo Marins, além de baixo e bateria.

- Um dos triunfos em fazer rock instrumental é conseguir que as pessoas cantem as melodias da música como se fosse uma letra. Por isso sou fã do Joe Satriane, que é um dos que melhor conseguiu fazer isso - revela o guitarrista.

'Ser filho de Baden Powell ajuda a divulgar meu trabalho'

Encerrando o Projeto Cordas com chave de ouro, o 'filho do homem', Marcel Powell, um virtuoso de apenas 26 anos e filho de Baden, um dos grandes nomes do violão no mundo em todos os tempos. Sozinho com seu violão, Marcel vai apresentar um repertório baseado na música brasileira, de Tom Jobim a Ary Barroso, além de músicas próprias e, é claro, Baden Powell.

- Tem músicas inéditas do meu pai, como Chora violão, que ele fez para o Rafael Rabello e que nunca foi gravada e que eu vou tocar - adianta Marcel.

O show terá muito do seu próximo CD, Cobra viva, que será lançado este ano. Produzido por Victor Biglione, o álbum vai trazer releituras de Dominguinhos, Gilberto Gil, Sivuca, Lenine e composições autorais.

- Prefiro muito mais me apresentar ao vivo que gravar em estúdio. No show a gente 'quebra o pau', arrebenta, pira. Disco é outra história. Você tem que tocar pra caramba em um clima frio. É difícil render em estúdio o que se rende ao vivo - compara.

- Os músicos brasileiros trabalham com o erro, isto é, muitas vezes somos favorecidos por uma 'nota suja'. Se passar o desinfetante, não fica legal. Tem uns discos do meu pai que dá para perceber que tem coisa errada ali, mas a emoção que está rolando não tem comparação.

Marcel considera que ser filho de Baden Powell não ofusca sua carreira.

- Estou sempre disponível para falar do meu pai, dou muitas entrevistas, sobre sua vida ou até mesmo sobre um disco específico de sua carreira. Mas também sou requisitado para falar do meu trabalho. Na verdade isso só ajuda a divulgar o meu trabalho - conclui.

Serviço:

O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí. Sexta e sábado às 21h e domingo às 20h. Ingressos: R$ 24 (meia entrada R$ 12).