Novo 'Batman' é dominado pelo ator Heath Ledger, morto este ano

Carlos Castro e Mario Abbade, Jornal do Brasil

LAS VEGAS - O cineasta Christopher Nolan está por trás de um novo e repaginado Batman. Para tanto, precisou tornar o herói ainda mais sombrio do que de costume. O segundo longa que o diretor revelado em Amnésia (2000) dirigiu na nova franquia do vingador mascarado, que era escuro desde o título Batman O cavaleiro das trevas, com estréia no Brasil prevista para 18 de julho acabou assumindo ares realmente dark com a morte inesperada, em janeiro, do ator Heath Ledger, que interpreta o vilão Coringa. A escolha para viver o personagem causou polêmica entre os fãs. Atores do porte de Adrien Brody, Robin Williams, Paul Bettany e Steve Carrell demonstraram interesse em viver o sombrio palhaço. Nolan foi em direção oposta e escolheu o jovem Ledger. O motivo?

Escolhi-o porque ele não temia nada afirma Nolan em entrevista ao JB durante sua passagem pela convenção de cinema ShoWest, em Las Vegas. Heath estava muito feliz com o resultado. E a verdade é que seu Coringa é um ícone, vai entrar para a história. Não tem nada a ver com o ator, é pura anarquia e maldade. Ele possuiu o Coringa.

Na versão final do longa, o diretor se recusou a cortar qualquer imagem de Ledger, até a em que o vilão é visto dentro de um saco preto, usado para embalar corpos.

Christian Bale, que volta a interpretar Batman e seu alter-ego, o bilionário Bruce Wayne, também acredita que a atuação de Ledger vai ofuscar até o próprio Batman:

Ele foi muito intenso em sua interpretação e fez um Coringa mais sujo do que qualquer outro ator. Seu personagem tem poder porque não conhece limites. Há muita anarquia em sua performance. Espero que o filme se torne uma celebração proporcional a seu excelente trabalho.

De volta à pele do controverso herói, Bale se sente mais à vontade no uniforme negro.

Batman evoluiu, está mais maduro, não é mais aquele homem tentando controlar sua dor, cheio de raiva observa. Ele está tentando reconhecer seus poderes e suas responsabilidades. Agora me sinto muito mais livre para transitar entre as personalidades de Bruce Wayne e Batman.

Batman O cavaleiro das trevas demorou sete meses para ser filmado, passando por Hong Kong, Londres e Chicago. A Warner investiu US$ 150 milhões, esperando gerar pelo menos o dobro em lucro. O novo filme se baseia nos gibis A piada mortal, O homem que ri e O longo Dia das Bruxas, três clássicos da DC Comics. O próprio Jerry Robinson, de 86 anos, um dos responsáveis pela criação do Coringa na década de 40, foi contratado como consultor para ajudar no desenvolvimento do roteiro, assinado pelos irmãos Christopher e Jonathan Nolan. Além de Coringa, o longa traz outro importante vilão do universo do herói: Duas-Caras, o desfigurado alter-ego do promotor de Gotham City, Harvey Dent, interpretado pelo ótimo Aaron Eckhart.

Foi divertido ficar sob toda aquela maquiagem. Imagine só encontrar alguém com o rosto totalmente queimado por ácido ressalta Eckhart. Quando você olha para o Duas-Caras, você deve ficar enjoado. O objetivo é exatamente este.

Mesmo antes do lançamento mundial da nova aventura de Batman, os envolvidos no projeto já pensam em uma nova seqüência.

Quero, sim, completar uma trilogia. O cavaleiro das trevas deixa um bom gancho para um próximo filme. E quero trabalhar com Chris Nolan novamente garante Bale, que participou de outros projetos com o cineasta, como O grande truque, de 2006. Se ele fizer, eu faço, mas será difícil com outro diretor. Nesse universo só consigo me imaginar trabalhando em parceria com ele.

O protagonista acredita ser necessário investir numa seqüência apenas quando há idéias tão eficientes quanto as do longa original, como é o caso com O cavaleiro das trevas:

Não há por que fazer uma outra parte de uma franquia se não existem idéias novas. A acomodação é um erro que muitos cometem. Nós progredimos . Não faríamos uma continuação se soubéssemos não ser possível superar o primeiro Batman. E, na minha opinião, conseguimos.

Após o desastroso Batman & Robin (1998), de Joel Schumacher, o super-herói amargava uma longa geladeira em Hollywood. Aliado ao talento do (até então) pouco conhecido galês Bale, o diretor reuniu um elenco com nomes como Michael Caine, Gary Oldman, Morgan Freeman, Liam Neeson, Rutger Hauer e reiniciou a franquia com Batman begins (2005). Nada mal para um londrino cuja carreira de apenas três filmes que começava a ganhar atenção no circuito independente por Amnésia.

Fiquei surpreso com a repercussão de Batman begins. Não esperava tanto confessa o cineasta. Não imaginei que um dia estaria por trás de uma seqüência, mesmo no fim do primeiro filme. Existem seqüências muito boas construídas em cima de um longa original, como O poderoso chefão 2. É isso que almejamos.