Muse vem do Rock in Rio Lisboa para o Rio de verdade

Braulio Lorentz, Jornal do Brasil

RIO - Numa das poucas apresentações que fez este ano, o trio inglês Muse pôs sua alma à prova no Rock In Rio Lisboa, no último dia 6. Com o mesmo show com o qual os portugueses se esbaldaram, a banda chega aos palcos do Brasil em julho para defender um rock alternativo que parece moldado para arenas e estádios. Com repertório do CD/DVD H.A.A.R.P. live from Wembley, lançado em maio, toca em 30 de julho, no Vivo Rio.

O show no Rock in Rio foi sensacional. Não estamos tocando muito ao vivo este ano, então foi uma boa oportunidade de nos apresentarmos para uma multidão diz o baixista Chris Wolstenholme, em entrevista por telefone ao Jornal do Brasil, da Inglaterra, ainda impressionado com os 90 mil pagantes que se acotovelaram durante o show.

Melhor Artista Ao Vivo

Credenciais não faltam ao Muse: já levaram os cobiçados prêmios de Melhor Artista Ao Vivo no Brit Awards e nas eleições anuais das publicações NME, Kerrang e Q. Sem músicos de apoio, Wolstenholme e os dois comparsas, o vocalista e guitarrista Matthew Bellamy e o baterista Dominic Howard, bebem do rock progressivo e constroem uma parede sonora ao vivo.

Ouvimos sempre coisas diferentes. Nós três temos a mente bastante aberta a novidades. Eu, por exemplo, gosto muito de bandas de surf music dos anos 60, que dão destaque aos arranjos de guitarras comenta o baixista.

Aos belos riffs de fácil memorização é somado o vocal de Bellamy, que, dentro dos arranjos do grupo, não costuma ficar em posição de destaque, e sim mesclado aos outros instrumentos.

É algo natural. Matt tem uma boa voz e a usa com muita confiança. O timbre dele é único. Não poderia pertencer a outra pessoa derrete-se Wolstenholme.

Formado na pequena cidade inglesa de Teignmouth, em 1997, o grupo sofreu no começo com a falta de palcos e até de outras bandas locais para troca de equipamento e experiências.

Não havia uma cena. Era comum tentarmos marcar shows e não conseguirmos. Acabamos desenvolvendo nosso som e melhorando os arranjos antes de tocar as músicas ao vivo conta.

Para ele, o Radiohead, com o qual são comparados desde o início da carreira, está numa direção bem diferente da que seguem.

Mas nossa intenção sempre foi a de desconectar nosso trabalho de outras trajetórias, seja a do Radiohead ou de qualquer outra ressalta.

Dentre os artistas citados pelo trio sobra até para cantora Britney Spears, que já foi mencionada várias vezes em entrevistas do grupo.

Isso sempre foi uma brincadeira. Claro que a ouvimos, mas não é uma influência verdadeira. O que temos em comum com ela são as batidas eletrônicas simples compara Wolstenholme, que não achou muita graça no vídeo do YouTube em que são misturados trechos de músicas dos dois artistas.

Britney volta e meia surge na playlist da banda, mas o mesmo não pode ser falado do Coldplay, grupo que, tal qual o Muse, assume o objetivo de compor rock para grandes espetáculos:

Não escutei o novo disco deles ainda e mal ouvi o primeiro single. Ando meio sem tempo para escutar os lançamentos direito.

O grupo também se apresenta em 31 de julho em São Paulo, no HSBC Brasil, e em 2 de agosto em Brasília, como atração do festival Porão do Rock, no estacionamento do Estádio Mané Garrincha.