SPFW: Jovens estilistas ocupam o último dia dos desfiles

Iesa Rodrigues, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - As marcas jovens ficaram para o último dia da 25ª edição da São Paulo Fashion Week. Jovens por serem assinadas por estilistas abaixo dos 30 anos. Ou pelo foco no consumo desta faixa etária. Ou ainda, por não terem atingido uma maturidade profissional.

Na fria manhã, ao ar livre, no jardim do pavilhão japonês do Ibirapuera, Erika Ikezili passou nesta última categoria, com louvor. Temas japoneses são freqüentes no seu trabalho, graças às origens dela. Agora que quimonos e flores viraram quase obrigatórios nas propostas do verão, Erika se deu bem nos vestidinhos curtos, montados em pregas e dobras, com cintos-faixa e muitos detalhes decorativos. O jardim de pedrinhas, o pavilhão onde se realiza uma exposição de caligrafia oriental e o grupo de tambores Taiko ao vivo deram a ambientação correta.

Estampas atuais, boa modelagem e modelos bonitas são pouco para expressar a tal maturidade. Priscilla Darolt, uma das jovens da moda paulistana, passou perto, mas não chegou lá. Pensou nas bailarinas de caixinhas de música, prometeu delicadeza e apresentou roupas complicadas demais, com proporções emboladas. A execução impecável fica como qualidade promissora.

Do outro lado, deste grupo jovem, está a Carlota Joakina, com equipe liderada por Gloria Coelho. O jeito esportivo dos maiôs e roupas modernas de academia continua, acrescido de peças mais urbanas, vestidos com gola-laço e babados na barra, estampas de oncinha em preto e cinza. Continua roupa de garota, mas é da garota de elite, que sabe a hora de trocar as Havaianas pela sandália de salto.

A saia curta predominou nesta semana, os longos vieram com a clássica conotação de festa. Foi preciso a Vide Bula entrar na passarela para surgirem os vestidos longos, com leveza e lembranças dos anos 70, nos colares de flores e nos pés descalços. Os jeans claros e as blusas de algodão confirmaram as possibilidades de sucesso no verão.

Se depender dos estilistas que lançaram as novidades do verão 2008/2009, os homens brasileiros devem mudar radicalmente seu modo de vestir. A grife carioca Reserva, do trio Rony Meisler, Fernando Sigal e Diogo Mariani, estreou na São Paulo Fashion Week com calças estampadas com flores e pássaros, bermudas justas com barra tie-dye rosa e casaquinhos de malha peruana em turquesa ou rosa-choque. É o estilo dândi da Silva, o novo boêmio, que da antiga indumentária machista só mantém a pin-up nua desenhada nas camisetas.

Depois das sungas douradas de Miguel Vieira, das camisas com franjas de canutilhos de Mario Queiroz e do vestido pregueado de Alexandre Herchcovitch, começa o fim da era da sobriedade baseada na alfaiataria do século 19 e no casual do século 20. O homem do século 21 vai aderir à moda.