Turnê sul-americana de Ozzy Osbourne desembarca no Brasil

Hugo Cals, JB Online

RIO - Depois de se apresentar na Argentina, no último final de semana, e em Santiago, na última terça-feira, o ex-líder do Black Sabbath, Ozzy Osbourne, aportou na cidade maravilhosa no fim da tarde desta quarta-feira. O cantor, que traz a turnê do disco "Black Rain", lançado em 2007, concedeu uma coletiva aos jornalistas, mas esbanjando vaidade só posou para os fotógrafos depois de retocar a maquiagem. Ozzy veio em seu avião particular mas não escapou dos engarrafamentos: por conta de retenções na Linha Amarela, a entrevista atrasou cerca de 1h40.

Ele se apresenta no Rio nesta quinta-feira no HSBC Arena (antiga arena do Pan) e no sábado é a vez dos paulistas conferirem a apresentação, quando Ozzy se apresentará no Parque Antártica, estádio do Palmeiras, onde cerca de 40 mil ingressos já foram vendidos (no Rio ainda há ingressos à venda). Nos dois shows, Ozzy sobe ao palco depois dos grupos Black Label Society e Korn, que estão excursionando com o cantor.

Ozzy surgiu com seus óculos escuros e um vistoso crucifixo dourado e com tradicionais trajes pretos. Questionado se compôs "Black Rain" careta,isto é sem o uso de álcool e drogas, Ozzy concordou:

- Eu nunca havia feito um álbum sóbrio em toda a minha carreira. Então eu decidi fazer um álbum sem álcool ou drogas, por que elas estavam me matando. Um amigo meu sempre me disse para eu não ter medo de pedir ajuda, e por isso fui auxiliado por co-produtores.

Ozzy disse ter gostado do resultado do novo álbum.

- Foi um dos álbuns mais divertidos de toda a minha carreira e foi um bom sucessor para "No more tears"- quando questionado se a sobriedade refletiu na musicalidade de "Black Rain".

Perguntado sobre a nova cena musical britânica, Ozzy diz que não conhece nada em especial. Limita-se ao máximo a escutar o que está tocando no rádio do carro. Sobre a imagem de Amy Winehouse, apontada como a nova cara do rock e usuária de álcool e drogas, Ozzy a criticou mas sem querer dar sermão.

- Minha filha Kelly é muito amiga de Amy, é uma pena que ela esteja se destruindo por causa das drogas. Não sou inocente, mas acho que ela está enviando uma mensagem errada para os

jovens e ela é extremamente talentosa.

Sobre aposentadoria Ozzy admitiu que apesar de ter falado que ia parar de tocar na década de

90 afirmou que só se aposenta dos palcos quando estiver em um caixão.

- Tocar não é como um trabalho. É divertido e pretendo nunca parar.

O cantor, que deixou o Black Sabbath por brigas internas, se esquivou quando perguntado se haverá uma reunião dos integrantes originais para comemorar os 40 anos do surgimento do grupo.

- Eu nunca mais disse nunca na minha vida, estou longe do Sabbath há muito tempo mas considero isso uma fase sagrada da minha vida. No entanto, não acho que isso vá acontecer

Uma lenda viva do rock, com lugar garantido na lista de artistas mais influentes do gênero, Ozzy tem dinheiro e fama o bastante para se aposentar. No entanto reitera que de forma alguma pensa em "pendurar as chuteiras".

- É uma rua de duas vias: não é um como um emprego normal, não acordo as 6 da manhã. Se eu não fizer, estou frito, se fizer também. É uma paixão, as pessoas me perguntam quando eu vou me aposentar e eu quero saber por que ficam perguntando isso ?

Mesmo garantindo que vai permanecer na ativa, no alto de seus 59, uma possível volta ao Brasil seria díficil. Apesar disso, ele afirma que pretende voltar sim.

- Eu sempre digo a Sharon( Osbourne, sua esposa): devemos ir sempre para a América do Sul. Aqui vocês tem ritmo, musicalidade no sangue.

Ozzy afirmou desconhecer a música brasileira e disse que só teve contato com ela no Rock in Rio de 85. Em fase light, o cantor pediu para o seu camarim produtos naturais e leite de soja, além de um bicicleta ergométrica, para o seu camarim. Ele arrancou gargalhadas ao contar seu ritual pré-show.

- Eu aqueço a voz, faço bicicleta para me aqueçer e depois me masturbo.

Um repórter presente perguntou por que o cantor usava óculos escuros (sua marca registrada)numa sala escura. Ozzy rebateu:

- Aqui é contra a lei por acaso ?

A entrevista terminou com o cantor contando que não teme a morte, por que isso é algo que acontecerá com todos e convidou a todos a conferir sua perfomance ao vivo no Rio.

A sua banda traz nos teclados Andy Wakeman, filho de Rick, que na década de 80 fez sucesso com o seu longo piano de cauda.

O presidente do Fanzmosis, um dos maiores fã-clubes do cantor no Brasil, Almir Figueiredo, estava emocionado. Ele edita o site www.ozzy.com.br e contou que está no ar desde 1995, projeto que começou como um fanzine e depois evoluiu para uma página na internet. Segundo ele atualmente, existem cerca de cinco mil usuários cadastrados, e milhares de acessos contabilizados.

- Acredito que o show do Rio será bem semelhante ao apresentado em Buenos Aires e em Santiago - disse ele.

O fã, que estava presente na coletiva, contou que assistiu as duas apresentações que Ozzy fez anteriormente no Rio (ele tocou no Rock in Rio de 1985 e no festival Monsters of Rock, em 1995 na casa de shows Metropolitan hoje Citibank Hall). E explicou que o motivo de Ozzy dar preferência a sucessos de sua carreira solo nos shows em vez de revisitar clássicos do Black Sabbath se dá por que a maioria dos fãs prefere o trabalho do cantor nessa fase.

- Fiz uma enquete no meu site, e 90% dos fãs preferem a fase solo de Ozzy. Do Sabbath, ele só toca "Paranoid", "Iron Man" e "War Pigs".

Ele vestia uma camisa personalizada da turnê contou que tinha trazido outras para dar de presente para Ozzy e todos os integrantes da grupo. Na sexta ele embarca para São Paulo, para conferir a apresentação na capital paulista.