Em entrevista , atores de 'Os produtores', falam sobre o musical

Angélica Paulo, JB Online

RIO - Após temporada no Tom Brasil, em São Paulo, o musical Os Produtores , de Mel Brooks, chega à cidade para temporada de dois meses no palco do Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, a partir do próximo dia três.

Capitaneados por Miguel Falabella, que assina a direção do espetáculo, o elenco se reuniu na casa de shows na noite da última segunda-feira, para entrevista coletiva. Intérprete do contador Leo Bloom, o ator Vladimir Brichta revelou que o interesse da imprensa no Rio foi bem maior que na capital paulista.

- Em São Paulo nem fizeram crítica sobre a peça revelou o ator, acrescentando que no Rio se sente mais acarinhado , tanto pelo público quanto pela imprensa.

A idéia de trazer o musical, que conta com uma orquestra de 11 músicos, equipe técnica e de produção de 80 pessoas, além de 25 atores no elenco, para o Brasil, surgiu depois que Falabella assistiu à montagem na Brodway, ainda em 2001.

O projeto ficou engavetado, até que, em uma conversa com o produtor Sandro Chaim, resolveram colocá-lo em prática.

Por se tratar de uma superprodução o cenário teve que ser transportado em cinco carretas, totalizando uma quantidade superior a 10 toneladas em equipamentos - o espetáculo foi concebido para ser apresentado apenas em São Paulo, e em seu formato original. Uma versão pocket está fora de cogitação, por questões contratuais.

- Os espetáculos da Broadway obedecem a uma cláusula contratual que nos engessa. Os americanos tendem a acreditar que não temos contribuições a fazer. Mas apesar disso, a peça tem um sabor brasileiro contou o diretor. Mesmo assim, existem vários cacos nossos.

Estreante em musicais, a atriz Juliana Paes descreve sua personagem, a dançarina sueca Ulla, como uma grande farsa, alguém que só quer se dar bem na vida. E confessa que, depois de ter passado nos testes, que duraram uma semana, aceitou o papel como um grande desafio para sua carreira.

- Nunca fui de ter medo. Óbvio que senti um grande nervosismo e só depois de ter sido aceita vi o tamanho da complicação em que estava me metendo. Mas me senti muito abraçada pela equipe.

Com 20 mil ingressos vendidos antecipadamente, o espetáculo tem tudo para superar os mais de 75 mil expectadores da temporada paulista.

Com mais de 10 cenários diferentes, o palco do Vivo Rio teve que receber adaptações em sua estrutura, como a troca de todo o piso do palco e a instalação de 20 novas varas de iluminação.

Todas as canções originais foram adaptadas para o português pelo próprio Miguel Falabella, que enfrentou algumas dificuldades, principalmente por não haverem palavras proparoxítonas no inglês.

Mas o fato das músicas terem uma temática pra cima , como o próprio diretor faz questão de dizer, tornam a identificação com o público mais fácil.

- Existem coisas que conseguimos ganhar com a tradução e o Miguel fez um trabalho primoroso elogia Juliana.

A preparação vocal do elenco contou com a ajuda da equipe musical do espetáculo e foi rigorosa. Os atores contam que evitam lugares com muito barulho e até mesmo o simples hábito de falar ao telefone tem que ser feito com mais cuidado, afim de problemas que possam comprometer a performance.

- Minha experiência com musicais mais populares me ajudou com a parte do canto. É claro que cantar em um espetáculo como esse tem certas particularidades. Mas sempre entro pensando que sou um contador de histórias disse Vladimir.

- Nenhum de nós está com CD na praça, mas cantamos com prazer. São canções para atores finalizou Falabella.