Ozzy Osbourne vem em forma para show no Rio

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Primeiro grande show internacional desta semana é de ninguém menos que Ozzy Osbourne, um dos grandes nomes da história do rock, não só por sua carreira e contribuição para o gênero - à frente do Black Sabbath e também em carreira solo -, mas também por seu talento, grande vocalista e presença que foi, e ainda é, apesar de alguns desavisados acharem que ele já está acabado ou 'gagá'. Trata-se de opinião equivocada, talvez caricaturizada pelo seriado The Osbournes, em que - talvez por uma timidez ou inadequação ao papel - aparecia como um 'bobão', coisa que ele definitivamente não é. Para não se mostrar deslocado naquele papel (que ele provavelmente estava fazendo principalmente pelo dinheiro), fazia um estilo 'pastelão'.

Ozzy continua cantando muito bem - com seu timbre único e inconfundível - e com grande carisma e presença de palco que sempre lhes foram característicos. Sua trajetória na história do rock é, no mínimo, heróica. Despontou como vocalista do Black Sabbath no final dos anos 60, que com o Led Zeppelin e Deep Purple formaram a satíssima trindade das bandas seminais do rock pauleira (como era de fato chamado o gênero pelos apreciadores no início, termo mais adequado que 'heavy metal'). Os riffs das guitarras desses grupos definiram tudo o que viria a ser feito de pesado no rock a partir de então.

No auge do sucesso do Black Sabbath, Ozzy sai para arriscar uma carreira solo, que logo se revelou muito bem sucedida, repleta de grandes clássicos incríveis, ao contrário da trajetória do grupo, que apesar de ter contado com grandes substitutos em seu lugar, como Ian Gillan e Dio, não conseguiu manter a chama.

Ozzy Osbourne fez apresentação antológica no primeiro Rock In Rio, em 1985, já cultivando um mito cheio de lendas, como a história de que comeu um morcego no palco. Verdade ou não, o fato é que naqueles loucos anos 70 a platéia muito doida (e os músicos não menos) jogava de tudo no palco, de cruzes a carne crua, na expectativa de provocar uma reação no ídolo. De certa feita, jogaram um morcego morto, que (reza a lenda) Ozzy achou ser um morcego de borracha e tascou-lhe uma mordida. História semelhante é a que conta que os integrantes do grupo Kiss pisavam em pintinhos no palco. Tem muita gente que acredita nisso. Outros vêem essas histórias como uma jogada de marketing, e que o próprio Black Sabbath começou a fazer sua fama ao perceber que havia um nicho de mercado interessado em consumir essas coisas macabras. Vale destacar que muitas letras do grupo eram anti-guerras, e de apelo pacifista.

Quem fala mal e aponta a forma física de Ozzy Osbourne como pontos fracos do artista, provavelmente não sabe de sua história. O cara ainda está ai para o que der e vier, cantando, agitando e tocando sua carreira, que não se perdeu no sucesso fácil das FMs e continua com uma legião de ardorosos fãs.

Ozzy se apresenta nesta quinta-feira, dia 3, na HSBC Arena (antigo Rio Arena). No mesmo local, no sábado, é a vez de Rod Stewart, outro grande nome da história do rock.