Deborah Colker encerra Festival de Curitiba em grande estilo

Portal Terra

CURITIBA - Conhecida por espetáculos de grande intensidade física, quase acrobática, a Companhia de Dança Deborah Colker parece ter encontrado nova direção com "Cruel", montagem que estreou neste Festival de Curitiba, que se encerrou neste último domingo.

Na verdade, a própria companhia indicava um novo rumo desde "Nó", de 2005, quando incorporou mais fortemente elementos de dramaturgia em detrimento da exacerbação do movimento.

- Cruel era uma direção natural - diz a coreógrafa Deborah Colker.

O espetáculo é dividido em quatro movimentos e dois atos. O programa indica do que se trata cada um dos movimentos, mas como tudo em dança contemporânea, é difícil (e desnecessário) encontrar o sentido lógico de cada passagem.

A fluência do espetáculo se dá pelo casamento perfeito entre a coreografia, a música, a luz, o figurino e os adereços de cena. A harmonia de "Cruel" é o que permite ao espectador desfrutar do espetáculo integralmente.

E não à toa cada elemento consegue, à sua maneira, sobressair ao longo da montagem. A equipe técnica da Cia. Deborah Colker é recheada de profissionais do mais alto gabarito, como Gringo Cardia (diretor de arte), Berna Ceppas (diretor musical, em parceria com Kassin), Jorginho de Carvalho (iluminação) e Samuel Cirnansk (figurino). É um time que faz com que "Cruel" seja um espetáculo de primeiríssimo nível. Tudo, é claro, privilegiando a coreografia da festejada Deborah Colker.

Cruel encerrou o Festival de Curitiba em grande estilo, e é sintomático que um espetáculo de dança coroe uma das melhores edições do evento dos últimos anos. Esta edição, em que o Festival perdeu oficialmente o nome do meio "de teatro", reuniu o que há de melhor e mais importante no campo das artes cênicas do Brasil.

O Festival perdeu o caráter de ineditismo que trazia desde sua origem para se estabelecer de fato como mostra, optando antes por bons espetáculos (já reconhecidos pela crítica, ou de companhias de importância) do que meramente novidades, muitas vezes ainda "verdes" para a estréia.