Morre fotógrafo que inspirou 'Os Gritos de Silêncio'

Agência EFE

WASHINGTON - O fotógrafo cambojano Dith Pran, cuja experiência de vida sob o regime dos Khmeres Vermelhos inspirou o filme Os gritos do silêncio, morreu hoje em Nova Jersey devido a um câncer de pâncreas.

A notícia foi comunicada publicamente por seu amigo e antigo correspondente de guerra do New York Times, Sydney Schanberg, que também foi representado no filme, estreado em 1984.

Dith Pran trabalhava para Schanberg como assistente e intérprete no Camboja em 1975, quando o país passou para as mãos dos Khmeres Vermelhos.

Após cobrir a chegada ao poder deste regime marxista, as autoridades não deixaram o Pran sair, o que permitiram ao jornalista americano, que sempre se lamentou de ter tido que abandonar Pran.

Após quatro anos de torturas e castigos, Pran conseguiu escapar para a Tailândia e ali enviou uma mensagem a seu antigo companheiro, que saiu imediatamente dos Estados Unidos para se encontrá-lo, em um emotivo reencontro.

- Durante quatro anos busquei sem sucesso qualquer prova de vida de Pran. Já estava perdendo toda a esperança. Mas sua ligação de emergência foi como um milagre para mim. Devolveu-me a vida - disse pouco depois o correspondente do New York Times.

Em 1980, Schanberg escreveu em uma reportagem, e posteriormente em um livro, o sofrimento de seu companheiro, relato que serviu de inspiração para o filme, que ganhou três estatuetas do Oscar.

O artigo, que recebeu o título de The death and Life of Dith Pran (A Morte e Vida de Dith Pran, em tradução livre) deu a Schanberg um Prêmio Pulitzer, em 1976.

Após escapar do Camboja, Pran se instalou nos Estados Unidos e começou a trabalhar para o New York Times como assistente do departamento de fotografia, onde aprendeu a mexer na câmara nas ruas de Nova York.

Dith Pran, que no momento de sua morte tinha 65 anos, fundou uma organização para conscientizar o mundo sobre o regime dos Khmeres Vermelhos, que governou o Camboja entre 1975 e 1979, e que foi responsável pela morte de cerca de mil de pessoas.

Além disso, foi embaixador de Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

Quando o líder dos Khmeres Vermelhos, Pol Pot, morreu em 1998, Pran lamentou que o ditador nunca tivesse sido julgado perante a Justiça pelos crimes cometidos, entre eles a morte de seus três irmãos.