Nietzsche escreve sobre Schopenhauer, em livro relançado

JB Online

RIO - Nesta obra Friedrich Nietzsche dedica seus pensamentos à postura filosófica do alemão Schopenhauer, um de seus grandes influenciadores. Mais do que uma biografia, este livro traz uma sucinta análise desse pensador, que influenciou profundamente as teorias filosóficas do próprio Nietzsche.

A obra não se limita a apresentar Schopenhauer como mero educador, mas busca esclarecer suas eventuais ligações com o processo instrutivo e educacional da Alemanha e, de modo particular, sua influência nos estudos filosóficos nas Universidades. Aqui o filósofo é descrito como um pensador exemplar, que soube galgar paulatinamente os degraus do conhecimento e do saber, chegando a se tornar um dos grandes exemplos às novas gerações que desejam enveredar pelos campos do conhecimento.

Nesse contexto, o autor passa a descrever o modelo do novo homem, que deveria guiar os destinos futuros da humanidade e compor o elemento essencial, moderno e necessário de uma nova sociedade. Neste sentido o autor traça um contrapondo entre o homem segundo Rousseau, o homem segundo Goethe e o homem segundo Schopenhauer. Em resumo, o homem superior une a visão filosófica de ser humano desses três pensadores, o super-homem imaginado e predito por Zaratustra.

A bem da verdade, segundo Nietzsche, o homem de Rousseau é rebelde, subversivo e revolucionário, enquanto o homem de Goethe é desapegado e contemplativo, ao passo que o homem de Schopenhauer é a antítese dos dois precedentes, pois é inteligente, lúcido, ativo, voluntarioso e idealista, superando barreiras, ilusões e convenções, sem se deixar abater, apesar dos altos e baixos que refletem o próprio pessimismo de seu idealizador, Schopenhauer.

Nietzsche ressalta ainda os três tipos superiores da humanidade, segundo o pensamento do filósofo que analisa: o filósofo, o artista e o santo. Os dois últimos são tratados pelo autor como categorias que se constroem e realizam suas obras desfrutando da aceitação social, destacando-se como reflexo daquilo que é belo e bom na humanidade. Quanto aos filósofos, porém, a situação é totalmente diversa. Para o autor, a filosofia sofreu um desvirtuamento, que a separa em duas vertentes: A primeira trata esta ciência de forma pura, independente e desligada das influências do poder, da qual Schopenhauer é um exemplo. Mas há também a filosofia subserviente, patrocinada pelo Estado, ensinada nas Universidades por sábios profissionais, filosofia deletéria que influencia negativamente na instrução e mesmo na educação das novas gerações.

Neste momento, o autor passa a criticar aberta e acerbamente o sistema de ensino de sua época, clamando por liberdade total, independência do Estado e pela desvinculação de um ensino programático e normativo que traz imensos prejuízos à própria filosofia, entendida como ciência do pensamento livre, independente e isenta de qualquer tipo de sufocação do poder e dos costumes da época.

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em Röcken, Alemanha, onde foi instruído pela mãe nos rígidos princípios da religião cristã. Cursou teologia e filologia clássica na Universidade de Bonn. Lecionou Filologia na Universidade de Basiléia, na Suíça, de 1868 a 1879, ano em que deixou a cátedra por doença. Passou a receber, a título de pensão, 3.000 francos suíços que lhe permitiam viajar e financiar a publicação de seus livros. Em 1866, contraiu sífilis e entregou-se à solidão e ao sofrimento. Atingido por crises de loucura em 1889, passou os últimos anos de sua vida recluso, vindo a falecer no dia 25 de agosto de 1900, em Weimar.

Espírito irrequieto e insatisfeito, consciência eruptiva e crítica, vivia uma vida de lutas contra si mesmo, de choques com a humanidade, de paradoxos sem limite. Assim era Nietzsche.

Ficha Técnica:

Título: Miscelância de Opiniões e Sentenças

Autor: Friedrich Nietzsche

Preço: R$4,90