Scotfield, de 'O homem que não vendeu sua alma', morre aos 86

REUTERS

LONDRES - Paul Scotfield, reconhecido como um dos melhores atores britânicos de sua geração e ganhador do Oscar por seu papel em 'O homem que não vendeu sua alma', morreu aos 86 anos de idade, vítima de uma leucemia, disse seu agente na quinta-feira.

Scotfield, um ator reservado que evitava os holofotes, tinha a força, a voz e a presença para sobrepujar outros atores clássicos. Suas atuações são inesquecíveis --desde o Rei Lear, de Shakespeare, até um barbeiro homossexual na comédia 'Staircase'.

Mas o brilho de Hollywood não o conquistou e ele era feliz por não ter alcançado o glamour de seus contemporâneos Richard Burton e Laurence Olivier.

- Dos 10 melhores momentos do teatro, oito são de Scotfield - disse Burton certa vez.

A agente Rosalind Chatto disse que Scotfield morreu em paz, na quarta-feira, em um hospital perto de sua casa no sul da Inglaterra.

- Ele tinha leucemia e não estava bem há algum tempo - disse ela à Reuters.

Ele ganhou o Oscar de melhor ator em 1966 por seu majestoso retrato do mártir católico Sir Thomas More, que preferiu ser executado pelo rei Henrique 8o a trair sua consciência, no filme 'O homem que não vendeu sua alma'.

O autor Robert Bolt é o responsável pela adaptação da peça pela qual Scotfield ficou conhecido nos palcos de Londres e Nova York.

Apesar das inúmeras ofertas de Hollywood, Scotfield preferia ser discreto, fazendo mais filmes mas ainda atuando nos palcos, em papéis como Otelo e Macbeth.

A idéia de trabalhar nos Estados Unidos não o interessava. 'Nunca gostei da idéia de morar ou trabalhar na Califórnia', disse ele.

- De fato, nunca estive lá, nem mesmo para receber o meu Oscar, porque estava ensaiando em Stratford.' O primeiro papel de Scotfield foi aos 13 anos, como a Julieta de 'Romeu e Julieta', numa peça da escola. Entre seus papéis de sucesso, está o Antonio Salieri em 'Amadeus', hit de Peter Shaffer sobre a vida de Mozart.