'La graine et le mulet' ganha César de melhor filme

Agência EFE

PARIS - O filme 'La Graine et le Mulet', de Abdellatif Kechiche, se transformou nesta sexta-feira no grande ganhador da 33ª noite do César 2008 - o equivalente ao Oscar do cinema francês que homenageia todo ano seus melhores artistas e profissionais. Os prêmios foram entregues no Théâtre du Châtelet, em Paris.

O cineasta franco-tunisiano, de 47 anos, ganhou quatro César entre eles os mais disputados - para o melhor filme, o melhor diretor e o melhor roteirista.

Seu terceiro longa-metragem, que conta a história de uma família que se parece com a sua, também levou Hafsia Herzi, de 21 anos, a ganhar o prêmio de melhor revelação feminina.

Só uma das duas grandes favoritas da gala conseguiu sair com outros cinco César: 'Piaf, Um hino de amor', de Olivier Dahan.

A protagonista Marion Cotillard, candidata no domingo em Los Angeles ao Oscar de melhor atriz, ganhou o César sem muitas surpresas, dada sua celebradíssima performance ao interpretar a cantora Edith Piaf.

O filme sobre Piaf recebeu prêmios também por sua fotografia, cenário e figurino, mas deixou de receber algumas das outras onze indicações que recebeu.

Já o intimista 'Un Secret', de Claude Miller, ficou apenas com o prêmio de melhor atriz coadjuvante, para Julie Depardieu. O filme, assim como 'Piaf', era um dos favoritos, com 11 indicações.

'O Escafandro e a Borboleta', de Julian Schnabel, levou o prêmio de melhor ator para Mathieu Amalric, e de melhor edição, para Juliette Welfling.

'Persepolis', de Marjane Satrapi e Vincent Parannaud, favorito e candidato ao Oscar no domingo, levou dois dos seis prêmios a que concorria, ganhando por melhor filme de estréia e melhor adaptação do ano.

O 'A Vida dos Outros', estreado em 2006 pelo alemão Florian Henckel von Donnersmarck, foi eleito o melhor filme estrangeiro, em detrimento de filmes como '4 meses 3 semanas e 2 dias', do diretor romeno Cristian Mungiu, e 'Do outro lado', do germano-turco Fatih Akin.

A lembrança de alguns ausentes, entre eles a ex-candidata presidencial colombiana, Ingrid Betancourt, seqüestrada há seis anos pela guerrilha, deu à gala alguns de seus momentos mais sérios, mas o clima dominante, como havia prometido seu presidente, Jean Rochefort, foi de festa.

O humorista, ator e diretor italiano de cinema Roberto Benigni, de 55 anos, César de Honra, brincou durante sua apresentação que 'as três italianas mais belas estão na França, Carla Bruni, Monica Bellucci e a Gioconda'.

Ressaltou, além disso, que a França 'inventou o cinema', quando pela primeira vez 'as palavras se fizeram iluminadas', e por isso agora 'tem o dever de fazer o maior cinema do mundo'.

A atriz Jeanne Moreau, de 80 anos, recebeu um emotivo 'Super César de Honra', aplaudido de pé por longo tempo pela platéia.

Foi exatamente ela, uma lenda nacional do cinema, quem trouxe ao palco a inquietação que alguns de seus colegas, como a atriz e diretora Agnès Jaoui, só puderam expressar na rua entregando panfletos aos convidados.

Após elogiar o cinema 'doce e amargo', como a vida, 'mensageiro magnífico', aproveitou o momento para defender a 'especificidade cultural francesa' e expressar o muito que lhe inquietam 'certas medidas governamentais que poderiam prejudicá-los.

- Os subsídios diminuem cada vez mais, para festivais e para cinemas independentes - alguns vítimas de concorrência desleal, "atacados por grupos poderosos', razões pelas quais 'dedicou' seu "Super César' à nova geração de produtoras que aspiravam ao César e não o conquistaram.