Jesse Harris, autor do maior sucesso de Norah Jones, toca no Rio

Ricardo Schott, JB Online

RIO - Nascido em Nova York, em 1970, o cantor, compositor e guitarrista americano Jesse Harris, que se apresenta neste domingo no Cinemathàque Jam Club, em Botafogo, é um desconhecido.

Mas, pelo menos para a cantora Norah Jones, merece um Grammy só para ele. Compositor de quatro dos maiores sucessos da cantora americana em sua estréia com "Come away with me", que vendeu mais de 20 milhões de cópias e arrematou um Grammy por "Don't know why" na categoria Canção do Ano, Harris ainda era apenas um professor de guitarra quando foi chamado por Norah em 2000, em Nova York, a compor.

- As coisas ficam bastante diferentes quando se é apenas um compositor. Compondo, não tenho que me preocupar tanto com minhas horas de sono, ou com o desgaste da minha voz. Essas preocupações ficam para quem está cantando minhas músicas - brinca ele em entrevista ao JB, acrescentando que adora as gravações de Norah e Madeleine Peyroux, para quem também assinou canções.

- Elas são grandes cantoras. E também gosto muito das outras gravações que fizeram de músicas minhas.

Harris chegou a tocar guitarra na banda de Norah. Mas o lançamento de "Come away with me" mudou sua vida. Ele vinha gravando discos com alguma regularidade desde 1999. Após ser revelado na voz de Norah, emprestou canções a Madeleine ("Don't wait too long") e a uma multidão de cantores na trilha de "Um amor jovem", de Ethan Hawke (cujos temas foram cantados por ele, Norah, Willie Nelson, Emmylou Harris, Cat Power e outros).

O cantor e compositor já esteve no Rio, em dezembro de 2004, abrindo os shows de Norah, na casa de shows Ribalta, no Recreio.

- Agora será minha primeira vez num pequeno clube no Rio, e acho que vai ser divertido - alegra-se Harris.

Sua ligação com a música brasileira é estreita. A delicada "How could it take so long", do último disco, "Feel", lançado no ano passado, é um country animado que se transforma num baião, por causa do acréscimo de triângulo e zabumba.

Recentemente, Paula Toller gravou em seu disco, "SóNós", duas canções de Harris: "If you won't e Long way from home", que o autor já registrara no álbum "The secret sun", de 2003.

- As canções de Jorge Ben (Jor) feitas nos anos 60 e 70 são a minha música brasileira favorita - esclarece Harris, afirmando também que seu som, geralmente categorizado como jazz, passou por múltiplas influências.

- É muita coisa. Tem música brasileira, rock, jazz, dub etc.

Harris iniciou-se na música por dois pólos diferentes. Na infância, estudou piano clássico e, ao mesmo tempo, desbravou o pop da época, aprendendo guitarra sozinho.

- Com isso, percebi que podia aprender a tocar as canções de Bob Dylan. E aí comecei a fazer minhas próprias músicas - recorda, lembrando uma de suas primeiras influências no pop.

O namoro de Jesse com a indústria fonográfica começou em 1995, quando fazia dupla com outra cantora de alma jazzística, Rebecca Martin. Era o duo "Once blue", que lançou, na época, um CD homônimo pela EMI.

Na mesma década, começou a percorrer os clubes de Nova York com sua nova banda, Jesse Harris & The Ferdinandos, que tinha na formação ele, Tony Scherr (guitarra), Tim Luntzel (baixo) e Kenny Wollesen (bateria) e fazia um som mais voltado para a união do jazz com o folk.

Em mais de 10 anos de carreira, ficou à margem das grandes grvadoras. Vários de seus álbuns foram editados por selos independentes. "Mineral", seu antepenúltimo CD, inaugurou uma das mais novas aventuras do cantor, o selo Secret Sun Recordings.

- É algo que demanda tempo. Até prefiro me concentrar mais na música agora - diz ele, que preferiu editar "Feel" pelo selo Velour Music, de Nova York.

- Hoje está muito difícil vender discos, então eu os faço e licencio para outros selos. Mas a SSR já lançou dois grandes discos: "Modern romance", de Sasha Dobson e, bem... o meu, né?