Trilha do filme 'Chega de saudade' é lançada em grande baile em SP

Leandro Souto Maior, JB Online

SÃO PAULO - O premiado longa só estréia nos cinemas no dia 25 de março, cheio de expectativas, mas o CD com a trilha sonora foi lançado em São Paulo nesta segunda-feira, dia 28. Chega de saudade , novo filme de Laís Bodanzky ( Bicho de 7 cabeças ), passa em um baile daqueles para a terceira idade, mais comuns na terra garoa que no Rio.

Por isso, os cariocas provavelmente não vão ver um baile como o que celebrou o lançamento da trilha, com presença da diretora, atores, equipe e a banda Luar de Prata, que conta com os crooners Elza Soares (Ana) e Marku Ribas (Vanderlei). Quem viu, viu, este que talvez tenha sido o primeiro e único show da banda criada especialmente para gravar a trilha do filme. A longevidade do grupo vai depender do resultado do filme nas telas e sua receptividade pelo público.

Além de músicos e músicas de primeira, como De noite na cama , Não deixe o samba morrer e Bebete vãobora , Chega de saudade também tem outros trunfos. O elenco conta com grandes atores, como Tonia Carrero, Cássia Kiss, Betty Faria, Stepan Nercessian e Paulo Vilhena. Outro ponto forte é o roteiro, de Luiz Bolognesi (parceiro de Laís também em Bicho de 7 cabeças ), que rendeu ao filme o prêmio Candango no Festival de Brasília de 2007. A história toda se passa em apenas um dia de baile, que começa às três da tarde e vai até às dez da noite, e conta histórias vividas pelos freqüentadores. As histórias vão se misturando e envolvem o público dentro do ambiente do salão.

- A premiação em Brasília deu um gostinho muito bom do que pode vir a ser o filme. Deu para perceber que o público vai gostar do resultado. A música dá a cadência da trama. O filme na verdade é um passeio musical que vai guiando os personagens comenta a diretora Laís Bodanzky.

Junto ao elenco e ao roteiro, brilha a música, sempre presente ou onipresente. O produtor musical Bid foi o responsável pela trilha e direção da banda Luar de Prata, formada por Kuki Stolarski (bateria), Fernando Nunes (baixo), Adriano Magôo (teclado), Bruno Buarque (percussão) e Felipe Pinaud (guitarra), além do naipe de metais arranjados por Tiquinho.

Como os músicos que considerou serem os mais indicados para as gravações não tinham a 'cara' típica do músico de baile tradicional, o jeito foi gravar com um grupo em estúdio e filmar com atores que tinham pelo menos uma certa noção de música. Apenas os cantores, Elza Soares e Marku Ribas, interpretam de fato o que se ouve e vê na tela.

- Foi feita uma pré-seleção de repertório por um DJ especializado nesses eventos. Eu continuei o trabalho fazendo uma pesquisa de campo, freqüentando os bailes na cidade. O resultado final incluiu foxtrot, bolero, forró, samba, bossa e gafieira conta Bid, que disse ainda que teve que pedir para os músicos tocarem de maneira bem simples, ás vezes até com instrumentos de baixa qualidade, para dar autenticidade ao som final.

Nos intervalos da apresentação da banda Luar de Prata, o personagem de Paulo Vilhena é o DJ que continua animando o baile.

- Nunca tive intimidade com as carrapetas. Meu papel no filme, o Marquinhos, não é só DJ. Ele faz tudo, de trocar lâmpadas a carregar as caixas conta o ator, que fez um curso rápido de DJ e operador de som para dar credibilidade a seu personagem.

Chega de saudade é fruto de quatro anos de pesquisa sobre os bailes de salão, com seu universo próprio e seus personagens. Junto da trilha sonora, promete ser um filme bom de se ver e ouvir e tem atributos para ser uma das grandes atrações brasilerias da grande tela em 2008.