Arte contemporânea latino-americana e russa se valoriza em 2007

Agência EFE

MADRI - As vendas de arte contemporânea procedente da América Latina e da Rússia superaram as previsões das casas Sotheby's e Christie's, mas ainda não se comparam com a arrecadação obtida por obras de artistas consagrados.

As principais casas de leilões buscaram em 2007 novos e potenciais compradores. Os maiores alvos são os novos ricos chineses e russos, que procuram diversificar os seus investimentos, apostando em obras de artistas praticamente desconhecidos.

Um dos destaques foi a venda em Nova York do quadro 'Tres personajes', de Rufino Tamayo. O quadro, que estava desaparecido há 20 anos, foi vendido por US$ 1 milhão.

As peças que bateram recordes foram, entre outras, um ovo com um relógio de diamantes fabricado por Carl Fabergé para os Rothschild (US$ 18,5 milhões) e o 'Estudo para Inocencio X' (US$ 52,68 milhões), de Francis Bacon.

Outra aposta dos especialistas da Sotheby's foi no mercado da pintura espanhola do fim do século XIX e início do século XX. "Fuensanta', de Julio Romero de Torres, foi leiloada por US$ 1,7 milhão em Londres.

Mas um dos circuitos de arte moderna e contemporânea mais interessantes foi no meio do ano, na Europa, com a realização ao mesmo tempo de quatro feiras: a Bienal de Veneza, a Documenta de Kassel, o Skulptur de Münster e a feira da Basiléia, também conhecida como Art Basel.

Além dos leilões, os artistas latino-americanos foram protagonistas no mercado asiático e europeu, com sua participação em Veneza, Kassel e na Bienal de São Paulo.

Em Nova York, um dos focos mais importantes para a difusão e criação de novas tendências, foi organizada a primeira feira de arte latino-americana contemporânea, a Pinta.

Além disso, o escultor colombiano Fernando Botero escolheu a cidade para mostrar 45 obras, que não estão à venda, inspiradas nas torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib.

Na escultura, a galeria Tate Modern, de Londres, contribuiu com duas mostras. Uma retrospectiva foi dedicada à prestigiosa franco-americana Louise Bourgeois.

E a obra 'Shibboleth', da colombiana Doris Salcedo, apresentou uma renovação da linguagem, a caminho da instalação.

Em fotografia, a corrente russa, com o grupo AES+F e o artista Dimitri Gustov, continuou influenciando o mercado e as tendências da Europa.

Mas os ladrões de obras de arte e de peças arqueológicas também foram notícia em 2007. Entre os roubos, que são mais freqüentes do que o público acredita e que nem sempre são divulgados, o destaque foi o desaparecimento de umas obras de Pablo Picasso da casa de uma de suas netas, em Paris.

Também desapareceram obras de Fernando Botero, em Pietrasanta (Itália), da Biblioteca Nacional de Madri. A boa notícia foi a recuperação de importantes obras roubadas, como 'A Madona do Fuso', de Leonardo da Vinci, telas do espanhol Pablo Picasso e os famosos quadros 'O Grito' e 'A Madona', do norueguês Edvard Munch.

Na madrugada de 20 de dezembro, uma quadrilha invadiu o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e roubou os quadros 'O Lavrador de Café', de Portinari, avaliado em US$ 5,5 milhões, e 'Retrato de Suzanne Bloch', de Picasso, de US$ 50 milhões.

Além disso, como sempre aconteceu ao longo da história, as celebridades foram fonte de inspiração para os artistas. O polêmico escultor americano Daniel Edwards mostrou em Nova York uma escultura do cadáver da atriz Paris Hilton, insinuantemente nua durante uma autópsia.

Já o britânico Jonathan Yeo, em Londres, retratou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, usando uma colagem de fotos pornográficas.

Em 2007 o circuito artístico também procurou incorporar a história em quadrinhos, a 'street art', o grafitti e a culinária, apesar das reservas dos artistas e marchands mais puristas. A Documenta de Kassel chegou a programar para a sua inauguração uma criação culinária do 'chef' espanhol Ferrán Adriá.

A tendência da arte ao longo do ano foi de continuidade das vendas e compras, principalmente do que já é conhecido, devido à incerteza financeira. No nível criativo, uma renovação profunda da linguagem artística, com um novo movimento forte, ainda não se consolidou, devido à especialização cognitiva e conceitual cada vez maior dos circuitos artísticos.