The Police apresenta suas armas

Leandro Souto Maior, Agência JB

RIO - Não choveu! Como dizia Chico Buarque, ...danem-se os astros... os signos... os búzios... ciganas... e todos os orixás , e dane-se a meteorologia também. Todas as previsões diziam que iria chover, e muito, durante o show do The Police, no Maracanã, na noite deste sábado, dia 8. O comércio informal de capas de chuva estava forte nas redondezas do Maracanã desde cedo. Na véspera, perguntado pelo JB Online se a chuva poderia de alguma forma atrapalhar a festa no dia seguinte, Charlie Hernandez, diretor de produção da The Police World Tour, afastou qualquer possibilidade disso acontecer mostrando que conhece a música brasileira, cantarolando: é um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas não choveu! E fez-se uma noite linda, extremamente agradável, para abrigar os grandes shows que viriam. De fato, choveu bastante na véspera, mas como diz o ditado depois da tempestade vem a bonança , as apresentações foram uma fartura só, de talento e muitas boas músicas.

O grupo Paralamas do Sucesso entrou no palco pontualmente às 20h, conforme o previsto, e fez um ótimo show, levantando a galera com uma seleção de clássicos daqueles impossíveis de não emplacar. Meu erro , Vital e sua moto , Selvagem , Óculos , Lanterna dos afogados , os Paralamas mostraram suas armas com um repertório imbatível.

Pontualmente às 21h30, também conforme o anunciado, o trio Sting-Summers-Copeland entrou no palco. Abriram com Message in a bottle , encerraram com Roxanne , depois voltaram, com King of pain , So lonely e Every breath you take e deram ainda mais um bis, com Next to you , do iniciozinho da carreira. A ordem do que aconteceu no meio, entre a abertura e o encerramento, pouco importa. O The Police é daquelas bandas que dá para colocar os nomes das músicas escritos em pequenos pedaços de papel dentro de um saco e ir tirando e tocando uma por uma, independente da ordem, é garantido que vai ser um sucesso. São muitos clássicos, de muita qualidade, harmônica e melódica, cheios de contrapontos interessantes, principalmente da voz e do baixo. Fica-se impressionado com a independência do baixista e cantor Sting para executar as duas tarefas ao mesmo tempo.

Apesar dessa 'sofisticação' do som, são canções simples, viscerais, punk rock, que é o som original do grupo. Mas o legal do Police é que eles não se limitam a uma fórmula de fazer música. Atacam no reggae, rock, punk, jazz até às vezes, como nas várias jam sessions que aconteciam durante o show. Sting está cantando como nos melhores tempos, o baterista Stewart Copeland continua técnico, criativo e surpreendente, e Andy Summers fazendo as texturas que são a sua marca e diferencial entre os guitarristas.

Nos telões de impressionante alta definição, os três pareciam felizes de estarem ali, espelhando o público, que fez uma bela festa, no gramado e nas arquibancadas. O The Police mostrou suas armas: sem pirotecnia, figurinos extravangates, sem nada além da música. E a maioria das pessoas que estava no Maracanã nesta noite histórica e memorável, estava lá pela música, e não para desfilar, azarar, ficar batendo papo e aparecer, como costuma acontecer com freqüência. The Police no Rio foi marcado por essa celebração à boa música!