Niterói Discos completa 18 anos revelando novos talentos

Bruno Pontes, Agência JB

RIO - Iniciativa inédita no país, o selo Niterói Discos foi criado há 18 anos com a intenção de registrar a produção musical de Niterói e dar oportunidade aos músicos que não conseguem entrar no mercado fonográfico, preservando a memória musical da cidade.

A Prefeitura de Niterói, através da Fundação de Arte de Niterói (FAN), seleciona artistas de destaque no panorama musical da cidade, nascidos ou radicados em Niterói há pelo menos cinco anos, e proporciona a produção do CD - gravação, mixagem, prensagem, impressão de capa e encartes - e mil cópias para venda e divulgação do trabalho em rádios e gravadoras.

A escolha dos trabalhos é feita por uma comissão de produtores musicais, radialistas e jornalistas, com a preocupação de abranger os mais variados estilos musicais. Já em seu primeiro ano de vida, o selo concorreu a quatro categorias do Prêmio Sharp. São mais de cem mil discos já prensados, nos mais variados estilos musicais, da música erudita à seresta. A continuidade deste projeto é a permanência de uma política que valoriza os artistas da cidade.

Procurado pelo JB Online, o atual diretor artístico do selo musical, Cláudio Salles, contou com exclusividade sobre a atuação situação do selo, as novidades e falou um pouco sobre sua carreira, paralela à direção da Niterói Discos.

JB Online: Há quanto tempo você está como diretor artístico do selo? Que dificuldades você tem enfrentado?

Salles: Desde abril de 2007. Quando cheguei eu peguei cinco discos que não tinham sido feitos ainda, do edital de 2005. Estou finalizando estes cds para fazer novas produções, buscar novos artistas, etc. A dificuldade que temos é de sensibilizar o governo a valorizar mais as questões culturais. Niterói tem um veiculo muito estreito com a musica e faz aniversario junto com Santa Cecília, padroeira dos músicos. Acho que isso faz com que Niterói e a própria Niterói Discos - que em 18 anos de existência carrega em seu currículo 130 mil lançamentos - mereçam alguma atenção por parte do governo.

JB Online: Quais são os próximos lançamentos mais relevantes da Niterói Discos?

Salles: De material que já temos finalizado posso citar o baixista Luiz Alves, que tocou com Elis Regina e Tom Jobim, o Dino Rangel que é um guitarrista excelente que toca jazz. Temos também o violonista Rogério de Souza e o Ronaldo bandolim, do Trio madeira Brasil , além da cantora Madáh.

JB Online: Você tem projetos independentes fora do selo como a rádio comunitária Pop Goiaba que chegou a sair do ar. É verdade que ela está para voltar? Você já foi algumas vezes à Brasília buscando a legalização das rádios comunitárias. Como está esse processo?

Salles: O que conseguimos quando fomos à Brasília foi a concessão da Pop Goiaba, que graças a Deus está no ar novamente. Em relação ao processo de legalização das rádios comunitárias infelizmente está parado, a questão não está andando e não sei se andará, pois não há uma sensibilização dos deputados e de outros políticos para fazer algo em prol dessas rádios, até porque no Brasil eles são donos de mais de 40% das rádios, então isso não interessa a eles, não é vantagem nenhuma.

Acredito que o que pode acontecer agora é um apartheid das rádios, com a chegada da digitalização das rádios e tvs. A digitalização das rádios traz interferência nas rádios comunitárias e acho que o futuro delas pode estar ameaçado.