B de Banda, R de rock! Como foi a primeira eliminatória do Festival

Leandro Souto Maior, Agência JB

RIO - A noite desta segunda-feira testemunhou a estréia da segunda edição do Festival B de Banda, do Jornal do Brasil. O sucesso da primeira edição garantiu a realização desta, que agora vem mais tentadora: além de gravar CD e DVD, a banda vencedora vai participar do Mada, o festival de música independente mais importante do país, que acontece em Natal, no Rio Grande do Norte.

Seis bandas subiram no palco da boate Melt, no Leblon, mas só uma em cada eliminatória (de um total de cinco) continua na disputa. Cada participante teve 15 minutos para fazer um mini show com repertório autoral.

A primeira apresentação da noite foi da banda Private Dancers, que além do nome também só canta em inglês. Com uma dicção não muito boa, as letras passavam batidas. E para curtir a música sem entender a letra, é preciso uma boa melodia para segurar, o que não era o caso. Músicos razoáveis. A bela cantora até que tentou se valer da atitude, se jogando no chão, mas é fraca. A contrabaixista usou alguns efeitos legais em seu instrumento, mas não supriu suas limitações. Tentou fazer backing vocais, mas nada foi ouvido - desnecessário. As músicas, todas muito parecidas - cópias mal feitas do padrão anos 80 de tocar.

A noite prosseguiu com a banda Parêntese. De cara o nível subiu. Começou cantando em português, já formando uma empatia maior com o público, mas a música era longa e repetitiva, apesar dos bons arranjos. O grupo perdeu todos os trunfos da entrada na segunda música, cantada em inglês e imitando descaradamente o vocalista Eddie Vedder, do Pearl Jam.

A terceira banda, Ronin, chegou com o melhor instrumental até então, mas também era cansativa. Bons arranjos, progressivos até, mas as músicas com muitas sílabas loooooooooooongas não entusiasmaram.

Na seqüência veio a banda Shar. A carismática vocalista foi o que de mais interessante subiu ao palco até o momento, em visual, atitude e postura de artista. A banda também proporcionou algo de novo sonoramente falando.

Quinto grupo: Mobile Drink. Som pesado, bons músicos, vocalista fraco, o padrão da noite. Não emocionou, mas ainda surpreenderia...

Sexto e último concorrente desta primeira eliminatória, o grupo Perla Siete, influenciado pelo som psicodélico dos anos 60, como foi apresentado. Mas nem a maior torcida da noite conseguiu disfarçar seu cantor desafinado. Pensando bem, estavam todos lá gritando pelo grupo, se divertindo... Talvez não se deva exigir tanto desses jovens músicos... Talvez seja como disse o mesmo cantor no final da apresentação: Não importa vitória, não importa derrota, o que importa é ter show de rock pra alimentar o mundo!

Apesar de jovens e no começo da carreira, não podemos esquecer que muitos dos maiores expoentes da música começaram a se destacar cedo, e é para revelar talentos que existem eventos como esse.

Muitos bons músicos em uma noite de muito rock. Sobra vontade e atitude, mas falta bons compositores, que é alma da canção, a base de tudo. No geral, o que se viu foi muitos trabalhos com referências de sons antigos. Anos 80, Eddie Veder, psicodelia... Os músicos não se atentaram para o fato de que seus ídolos só foram o que foram porque apontavam para o futuro, e não para o passado.

Antes de ser revelado o classificado da noite entra em cena o grupo carioca Manacá, para entreter o público com uma apresentação bônus, enquanto era computado o resultado. Ótima banda, surpreendentes arranjos, rock pesado com boas melodias, bom vocal. Tocaram suas próprias músicas, e apresentaram um cover fiel de Tinindo Trincando , pérola dos Novos Baianos, e uma releitura pesada e, essa sim, muito interessante para Canto de Ossanha , de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Legal a galera tocando, legal ser rock, foi uma noite divertida e animada. A banda classificada foi o Mobile Drink. Segunda-feira que vem tem mais...