Paquistão está ao cerne da história de Daniel Pearl

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LOS ANGELES - O Paquistão não é o lugar mais seguro do mundo para visitantes ocidentais, hoje em dia, mas o cineasta inglês Michael Winterbottom sabia que precisava rodar seu filme sobre o jornalista assassinado do Wall Street Journal Daniel Pearl no país em que tudo aconteceu, o maior regime militar do mundo. O filme 'A Mighty Heart', sobre o sequestro de Pearl em 2002 e a busca subsequente que sua mulher, Mariane, empreendeu por ele, estréia na sexta-feira nos EUA.

- Em vista do fato de que uma parte do que Daniel e Mariane estavam fazendo no país era tentar mostrar às pessoas nos EUA como era o Paquistão, pareceu essencial tentar filmar ali - disse Winterbottom.

Foram usados no filme os locais reais em que aconteceram fatos chaves da história, como o Hotel Akbar e o restaurante onde Pearl foi sequestrado. Winterbottom, que já tinha trabalhado antes no Paquistão, primeiro foi ao país com uma equipe pequena para fazer uma rápida viagem de pesquisa. Ele se reuniu com autoridades e outros envolvidos na história de Pearl e filmou alguns lugares, para o caso de não ser autorizado a rodar o filme ali. Mas não precisou filmar escondido, porque o país é mais aberto do que poderia imaginar, disse ele.

Para a parte paquistanesa da rodagem, os membros do curso fizeram um curso de treinamento antiterrorismo, exigido pelo seguro. Os atores americanos, incluindo Angelina Jolie e Dan Futterman, eram acompanhados por seguranças. Muitas agências do governo em Islamabad, além de setores da polícia, cooperaram com o filme, mas outros na comunidade de inteligência não reagiram tão bem. Winterbottom recordou que um agente de inteligência paquistanês mandou prender os figurantes do filme pelo crime de se fazerem passar por policiais, apesar de terem recebido autorização de vestir uniformes policiais. 'A Mighty Heart' também incluiu cinco semanas de filmagens de interiores na Índia, com uma casa em Pune fazendo as vezes da casa do casal Pearl no Paquistão.