'Infância Roubada' conta história de redenção na África

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SÃO PAULO - É pouco provável que o drama sul-africano 'Infância Roubada', de Gavin Hood, que estréia nesta quinta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, chegaria a cinemas brasileiros se não tivesse vencido o Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado.

Mas o fato de 'Infância Roubada', que bateu o favorito palestino 'Paradise Now', ter levado o prêmio não causa estranheza. Afinal, o filme tem muitas das características que costumam impressionar os votantes, traz um tema social e a redenção no final. Nenhum desses fatores, no entanto, eleva o drama a um patamar melhor, pelo contrário.

Um bebê aparece para mudar a vida do protagonista, David (Presley Chweneyagae), mais conhecido como Tsotsi, que significa 'ladrão', na linguagem do gueto.

O jovem é o líder de uma gangue que tenta esquecer o seu passado. Por ter se tornado órfão muito cedo, o garoto teve de enfrentar uma série de problemas que o transformaram num fora-da-lei endurecido.

A sua relação com as outras pessoas, mesmo os membros de sua gangue, sempre é tensa. Tsotsi parece desprovido de sentimentos, é como um autômato preocupado apenas com a sua sobrevivência e em amedrontar os demais. Isso muda no momento em que atira em uma mulher e rouba um carro sem saber que há um bebê no banco de trás.

Essa nova figura será responsável por despertar novos sentimentos em Tsotsi. A vida do rapaz sempre foi construída em cima de medos e necessidades, o que o transformou numa pessoa violenta. A chegada da criança quebra esse ciclo. Não porque o protagonista se regenere, mas porque não terá mais tempo para nada a não ser cuidar do bebê.

'Infância Roubada' é baseado num livro de Athol Fugard, já publicado no Brasil. A obra foi escrita na década de 1960 mas só foi publicada em 1980, quando a África do Sul ainda vivia sob o regime do apartheid. O filme mostra que pouca coisa mudou naquele país ao longo dessas últimas décadas.

No entanto, a forma ingênua com que se conduz 'Infância Roubada' diminui a sua força. No filme, tudo se resolve muito facilmente, bem diferente da vida real, num contexto dramático como o desta história. No fim, segue a fórmula sentimental de produtos hollywoodianos sobre personagens que encontram sua redenção, o que explica facilmente sua premiação no Oscar.