Pintura de Tony Blair nu é destaque na Royal Academy

Agência ANSA

LONDRES - A Royal Academy de Londres comemora a demissão de Tony Blair do cargo de primeiro-ministro de uma maneira um tanto controversa: expondo um quadro em que o premier e a primeira-dama, lady Cherie, aparecem nus, saindo cabisbaixos de Downing Street, remetendo à expulsão de Adão e Eva do Paraíso.

A tela foi pintada por Michael Sandle, que instalou ao lado da sua obra dois painéis sobre o "caos" criado no Iraque pela guerra após a deposição de Saddam Hussein

A prestigiosa Royal Academy of Arts decidiu colocar essa obra em uma posição de destaque na sua tradicional mostra de verão, que a cada ano atrai mais de 150 mil visitantes.

O norte-americano Sadle, de 71 anos, demorou dez dias para dar forma à sua raiva pelo governo de Blair.

- Queria esperar antes de mandar o quadro para a Royal Academy, mas fui levado pela raiva por Blair ter arruinado tudo. Permitiu que a sua vaidade arruinasse tudo. Não possui nem um pingo de remorso pelo Iraque. Está convencido de que o que fez foi justo - desabafou o artista ao jornal The Guardian.

Os críticos ficaram surpresos com a obra - intitulada "Iraq Triptych" ("Tríptico do Iraque", em português), de quatro metros de comprimento e um metro de altura -, pois consideravam Sandle um pintor acadêmico, distante de temas políticos.

O artista não escondeu a sua satisfação pelo fato de que a sua pintura anti-Blair estará na quinta sala da mostra de verão da Royal Academy e não ficará relegada a "algum canto obscuro".