Angélica Paulo comenta Suassuna no CCBB

Angélica Paulo, Agência JB

RIO - Em comemoração aos 80 anos de Ariano Suassuna, uma série de homenagens, mais do que merecidas, vão povoar o cenário nacional. Tive a grata surpresa e assistir no teatro, esta comemoração se dar em forma de um encontro inusitado entre Ariano e seus personagens mais famosos. Trata-se da peça homônima de Gustavo Paso, estrelada pelo também Gustavo - Falcão - e que desde o último dia 11 vem lotando o teatro 1 do Centro Cultural Banco do Brasil.

No palco, Falcão encarna o próprio Ariano, que está em busca do caminho para o reino de Acauã, referência à fazenda de mesmo nome, no interior da Paraíba, onde o escritor nasceu. Baseado na 'Divina Comédia', de Dante Alighieri, o personagem, passa por três fases dentro da montagem: 'Sol', que representa o inferno, 'Sangue', que equivale ao purgatório e 'Sonho', cuja representação é o paraíso; pelo caminho, um Ariano de 35 anos, vai encontrando com suas criações mais famosas, desde 'Uma mulher vestida de Sol' (a guia do escritor, que o livra de alguns de seus piores obstáculos), passando pelo 'Auto da Compadecida' (com Chicó e João Grilo) e 'A pedra do reino' (a onça Caetana, representando o mal).

Todo o espetáculo é permeado por composições de Lui Coimbra, que levam o público a penetrar no universo agreste de Suassuna, com lamentos e folguedos interpretados pelos integrantes da Cia Epigenia Arte Contemporânea.

Em pouco mais de duas horas, o público ri, chora, suspira e dança com os integrantes da trupe. Ao final do espetáculo, uma platéia que aplaude de pé, por mais de cinco minutos, é o resultado de um trabalho aprovado pelo próprio Ariano Suassuna (o autor não quis modificar o texto da peça) e que chega num momento exato em que mega-produções estrangeiras invadem o cenário teatral, lembrando ao público que a cultura brasileira é imensa, rica e que ainda tem muito para ser explorada.