Netlabels, selos digitais, englobam música, arte e design

Agência ANSA

SÃO PAULO - Não é de hoje que as "netlabels" são conhecidas no mundo inteiro pelos amantes da música eletrônica. Com toda a evolução tecnológica, os formatos mp3 deixaram de ser um privilégio para poucos e as netlabels trazem à tona produções, principalmente de música eletrônica, que não chegaram no mercado mundial para serem vendida em vinil.No Brasil, as netlabels apesar de não serem muitas, porque poucas editoras tiveram a iniciativa de disponibilizar produções em formatos digitais de artistas não tão conhecidos, parecem conquistar seu espaço.

Samuel (Menorah), Tadeus Mucelli (3nity) e Eduardo Duarte (Duduart) se uniram em janeiro de 2005 para lançar a Conteúdo Records, um dos primeiros selos digitais (netlabel) nacional. O primeiro álbum (conhecidos como EP) foi produzido pelos próprios criadores da Conteúdo, que disponibilizaram três faixas bem minimalistas no site da "gravadora" em novembro desse ano.

Em maio de 2006 foi a vez do núcleo Motronic que lançou sua netlabel de mesmo nome. A dupla Eisten On The Beach inaugurou a netlabel Motronic com o álbum "Evolution". Depois do recente lançamento do segundo EP que conta com um remix de Jerome Hill, Daniel Cozta, diretor artístico e fundador do label online, disse à ANSA que já tem outro lançamento sendo produzido.

"Agora estamos trabalhando com um francês, o Alex Fisher. Ele também é dono de uma netlabel, que se chama After Dinner, mas ainda não sabemos a data do lançamento", explicou Daniel, que junto com o diretor artístico Russell Skellon e o webdesigner Roger formam o núcleo responsável pelo selo digital.

As artes visuais conquistam seu espaço na Motronic. O coletivo Vai-Vendo que já faz parte do núcleo há muito tempo, faz partes dos novos projetos da netlabel. Daniel contou que existem projetos de uma produção áudio-visual desse coletivo que será feita para o selo digital do núcleo, o que acrescenta um caráter artístico à gravadora.

As duas netlabels brasileiras mais conhecidas de música eletrônica são muito diferentes. A Motronic é bastante voltada para minimal, enquanto a Conteúdo Records conta com estilos mais variados entre as vertentes do techno, electro, house e minimal. Na lista dos EPs disponíveis no site, aparecem produções do Click Box e Mimi, grandes destaques da cena nacional.

Uma nova netlabel que está no ar há mês, a Solida Lab, surge como um novo espaço de encontro, netlabel, discotecagem, arte e informação. É verdade que quase todos os selos digitais tem seção de notícias, de sets, apresentam a arte das capas das produções lançadas, mas esse novo selo digital conta com uma vitrine exclusiva para divulgação de artistas plásticos.

Todos os selos apresentam aspectos artísticos, desde o design do site até a arte das capas de disco. A Solida Lab, além dessas características, criou uma vitrine para expor tudo que seja visualizável. Fernando Nasci, Bruno Real e Felippe Barcellos são os realizadores do projeto.

Nasci, relações públicas da Solida Lab, explica que a idéia de inserir arte no site é um reflexo da cena eletrônica atual. "Hoje em dia percebemos a importância de um VJ ou até mesmo de exposições de arte em uma casa noturna. Foi então que tivemos a idéia de além de lançar as músicas e suas capas digitais, expor trabalhos de artistas gráficos", explicou à ANSA.

Barcellos, Fernando Nasci, Init 8, Nu4ms, Samuel Sic (Espanha), Fellini são artistas que disponibilizarão suas produções e sets na Solida Lab, que conta com o apoio de Cesinha e Felzener.

As netlabels podem ser lançadas por qualquer pessoa, mas para divulgar as produções dos artistas é necessário uma licença, que autoriza a cópia e a distribuição das faixas, da organização Creative Commons, representada no Brasil pela Fundação Getúlio Vargas. Talvez por causa da facilidade de criar uma netlabel, é muito comum ouvir críticas referentes à qualidade das produções, porém, Nasci explica que podem existir muitos lançamentos de netlabels melhores do que uma produção lançada em vinil por um selo convencional.

"Se analisarmos as netlabels estrangeiras, como a unfoundsound e a archipel, veremos que os mesmos produtores conhecidos internacionalmente, também lançam seus materiais por netlabel. Barem, Seiul , Florian Meindl, Butane, Someone else e Dissonance são todos da unfoundsound", defendeu.

Enquanto os fins desses selos não forem lucrativos, inúmeras pessoas ao redor do mundo poderão ouvir novas músicas com qualidade, sem pagar nada e ainda protegidos dos vírus adquiridos com os programas de download como SoulSeek, eMule ou Kazaa. "A idéia de criar esses selos digitais surgem da vontade de possibilitar que artistas não conhecidos lancem seus trabalhos, o que é muito maior do que a vontade de lucrar", destacou Nasci, talvez referindo-se a sua própria netlabel.