Olhares para o futuro

Começa o Olhar de Cinema, colocando pelo oitavo ano Curitiba no mapa dos festivais

Se comprometendo com a diversidade do cinema produzido literalmente nos quatro cantos do mundo, o Olhar de Cinema começa sua maratona cinematográfica hoje dia 5, e segue até o dia 13 de junho refletindo o que as telas independentes estão clamando sobre a sociedade contemporânea. Desde 2012 Curitiba vem pedir o seu quinhão de relevância artística no mapa dos acontecimentos culturais do país, e não será diferente esse ano, com um cardápio de mais de 100 produções espalhadas por três espaços locais, em uma profusão de imagens que debatem os temas e os gêneros que constituem a sétima arte em sua versão mais arriscada.

O diretor geral e artístico do Festival, Antônio Junior, coloca o mesmo como um "espaço de luz em meio às trevas atuais", que condensará durante esse pouco mais de uma semana uma programação vasta, das sessões regulares a debates e mesas de discussões, cursos livres, e encontros imperdiveis com gente do calibre dos recém vencedores em Cannes Karim Ainouz (diretor de 'A Vida Invisível de Euridice Gusmão') e Rodrigo Teixeira (produtor de 'The Lighthouse') a atriz Maeve Jinkings, o produtor Thiago Macedo Correia e muito mais.

A semana será aberta com 'Banquete Coutinho', documentário de Josafá Veloso a respeito de um dos maiores cineastas da nossa História, com o olhar do próprio Eduardo Coutinho para sua obra, além de uma análise sobre a grandeza da mesma. O encerramento ficará a cargo de 'Breve História de um Planeta Verde', co-produção da Alemanha, Argentina, Espanha e Brasil dirigida por Santiago Loza e recém vencedora do prêmio Teddy no Festival de Berlim. Aliás, Berlim é só uma das competições que trazem filme ao Olhar, que também terá filmes de Rotterdam, Locarno e San Sebastian, como o último vencedor de lá, 'Entre Duas Águas', de Isaki Lacuesta.

Dentre as produções nacionais, temos filmes que passaram em competições nas telas mais prestigiadas do mundo, como 'Indianara', documentário sobre a luta política de uma das mulheres trans mais votadas no país, dirigida por Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, que chega direto de Cannes. Vinda da Berlinale, 'Espero tua (re)volta' de Eliza Capai, faz sua estreia no Brasil. 'Diz a ela que me viu chorar' de Maíra Buhler chega do Cinéma du Reel na Suíça, 'Chão' de Camila Freitas também passou por Berlim, e 'A Noite Amarela' de Ramon Porto vem de Rotterdam. O festival ainda promove a estreia mundial do novo filme do diretor de 'Arábia' Affonso Uchoa, 'Sete Anos em Maio'.

O festival vai ainda desfilar nas mostras competitivas uma fatia grande do melhor que o cinema pode oferecer hoje, buscando a comunicação com o público através de um olhar mais arriscado e menos óbvio; filmes que propiciem reflexão em seu caráter mais amplo, e cujos debates podem abrir visões multifacetada sobre as ideias de cada autor.

O festival ainda vai inaugurar uma nova sessão, a 'Olhares Brasileiros', um passeio pelo que de mais relevante aconteceu no nosso cinema nos últimos 12 meses e ainda não estreou. Também será o primeiro ano que o festival trará um fórum de discussão sobre futuros projetos ainda no papel, como vem fazendo os melhores e mais antenados festivais do mundo, provando sua vontade e compromisso de criar raízes e se manter em expansão com as práticas cinematográficas em todas as suas etapas.

Em um ano tão turbulento para o cinema, com cortes de verbas em projetos e eventos, o Olhar de Cinema começa hoje para acima de tudo celebrar a sua própria capacidade de existir nesse período, e reunir cabeças pensantes, um público exigente e filmes de matéria arrojada é uma forma de fazer política, arte e afeto, tudo ao mesmo tempo.