Rádios de três países boicotam Michael Jackson

Novas denúncias de abuso levam emissoras do Canadá, Austrália e Nova Zelândia a deixar de veicular sucessos s do rei do pop

SYDNEY - Rádios da Austrália, Canadá e Nova Zelândia decidiram não tocar canções de Michael Jackson como reação às novas alegações de abuso sexual do rei do pop. A decisão foi tomada após o lançamento do documentário "Deixando Neverland", no qual dois homens relatam que o artista abusou sexualmente deles por anos.

"Dado o que está acontecendo no momento, SmoothFM não transmitirá mais nenhuma música de Michael Jackson", anunciou Paul Jackson, diretor de programação da emissora. O documentário, produzido pela HBO, ainda não foi transmitido na Austrália. Outro grupo de rádios australianas, a ARN, informou estar "acompanhando de perto o sentimento do público com o artista".

Macaque in the trees
Robson e Sufechuck frequentaram Neverland na infância e acusam Michael Jackson de molestá-los (Foto: Reprodução)

Na Nova Zelândia, as músicas de Michael quase não são mais ouvidas no dial após a decisão dos dois principais grupos radiofônicos, MediaWorks e NZME, de não mais tocá-las. Essas duas empresas controlam a rede de rádios comerciais. A estatal NZ informou que as músicas do cantor não fazem parte de sua playlist.

O documentário de quatro horas da HBO exibido no último fim de semana nos Estados Unidos, apresenta as histórias de dois homens que dizem que Michael Jackson, que morreu há 10 anos, abusou sexualmente deles quando eram crianças.

O documentário se concentra em James Safechuck, de 41 anos, e Wade Robson, de 36 anos, que rememoram os fatos de como seu ídolo os abusou quando crianças. Ambos descrevem como o cantor os atraiu: ele os convidou para compartilhar sua vida de sonhos no rancho Neverland, ganhou a confiança de suas famílias e os manipulou para manter seu relacionamento sexual em segredo.

Hoje um renomado coreógrafo australiano, Wade Robson conheceu Michael Jackson quando tinha cinco anos, após vencer uma competição de dança. O astro o convidou para o seu rancho em Santa Barbara, na Califórnia. Segundo Robson, os abusos começaram dois anos depois. Safechuk, cujos abusos teriam tido início aos 10 anos, participou de uma propaganda da Pepsi com o astro. Sua história é semelhante. Michael teria dito a ele que, se alguém descobrisse, suas vidas "acabariam".

Esta não é a primeira vez que denúncias de abusos contra Jackson vão ao ar publicamente, mas é a primeira explosão do escândalo desde que ele morreu de uma overdose aos 50 anos, em 2009. Em 1993, Jackson foi acusado de abusar de um menino de 13 anos e encerrou o caso com um acordo extrajudicial. Na época, Robson e Safechuck asseguraram que o músico nunca os tocara.

Em 2003, novas acusações vieram à tona em um julgamento dramático. Safechuk permaneceu à margem, mas Robson testemunhou em favor de Michael Jackson, que foi absolvido.

Os administradores do patrimônio de Michael Jackson defendem com veemência o cantor e processaram a HBO em 100 milhões de dólares por "assassinato póstumo" e asseguram que a companhia violou um acordo para não falar mal do ícone pop, uma condição estabelecida para emitir um de seus shows.

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Wade Robson e Michael, numa de suas visitas a Neverland (Foto: Reprodução)

A decisão de não transmitir mais músicas de Michael Jackson prejudicará a marca e poderá resultar em perdas vinculadas a direitos autorais através da transmissão em rádios. Mas não se sabe se o público parou de ouvir o rei do pop nas plataformas digitais. Na Austrália, "The essentials of Michael Jackson" segue no 65º lugar dos mais baixados.

Nesta semana, dezenas de estações de rádio canadenses decidiram não transmitir mais as grandes canções de Jackson como "Billie Jean" ou "Bad". "Estamos atentos ao feedback dos nossos ouvintes, enquanto a transmissão do documentário gerou reações", disse Christine DiCaire, da Cogeco, que opera 22 estações em Quebec e outra em Ontário. "Preferimos, no momento, observar a situação eliminando as músicas de nossas estações", acrescentou.

Na Grã-Bretanha, onde "Deixando Neverland" deve ir ao ar na próxima quarta-feira, a BBC seguiu o exemplo de outras rádios e arquivou músicas de Michael. Um dirigente da emissora garante que o artista não está banido da programação. A BBC, diz, considera "cada obra musical pela sua qualidade e as decisões sobre o que é emitido em diferentes rádios são sempre tomadas em consideração ao contexto e ao público". (AFP)

 



Wade Robson e Michael, numa de suas visitas a Neverland
Robson e Sufechuck frequentaram Neverland na infância e acusam Michael Jackson de molestá-los