Feminismo para não morrer

A partir de quinta-feira, os espetáculos teatrais começam a voltar a cartaz depois do intervalo no Carnaval e outras aproveitam para estrear novas temporadas. Como é o caso de "Para não morrer" que, após temporada de sucesso no Teatro Poeirinha ano passado, retorna ao Rio para um fim de semana no Teatro Sesc Ginástico, no Centro, aproveitando o mês dedicado às mulheres.

Indicado na categoria de Melhor Atriz pelo 7º Prêmio Botequim Cultural e 31º Prêmio Shell de Teatro, o solo de Nena Inoue apresenta temáticas femininas e feministas ligadas a questões políticas. No palco, ela relata histórias de mulheres de resistência que transformaram o meio e as pessoas com as quais conviveram. O texto, do curitibano Francisco Mallmann, é inspirado na obra "Mulheres", do escritor uruguaio Eduardo Galeano. "Lendo o livro me inspirei na importância dessas mulheres que estavam na contramão do que era imposto e vi a importância de repassar para outras pessoas. Em seguida, quis colocar em cena mulheres como protagonistas de suas histórias. Convidei, então, o Francisco para a dramaturgia e ele trouxe um texto sensível, que emociona. Ele foi muito assertivo em captar o que eu queria desse espetáculo", explica Nena, que interpreta uma narradora limitada fisicamente e também dirige a peça.

Macaque in the trees
Nena Inoue interpreta uma narradora limitada fisicamente (Foto: Raquel Rizzo/Divulgação)

O solo se insere na manutenção da memória, apresentando o Brasil em interlocução direta com toda a América Latina. "A peça é sobre opressão e violências, mas também sobre resistências, lutas, afeto. É também sobre as mulheres de hoje, do que está adormecido, coisas esquecidas que precisamos despertar. Vivemos um momento de retrocessos sociais onde a consciência histórica e resistência se fazem ainda mais necessárias, este espetáculo é minha forma de militar, de resistir. Ele vem tocando distintos públicos, que não somente mulheres, pois seus conteúdos são importantes para todos neste momento", reflete a atriz.