Trump acusa Spike Lee de ataque racista

Presidente se irritou com a convocação do cineasta para que eleitores façam a coisa certa nas urnas

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WASHINGTON - O presidente Donald Trump acusou o veterano cineasta Spike Lee de ter lançado um "ataque racista" em seu discurso de agradecimento depois de ganhar um Oscar, no qual ele pediu uma mobilização para a próxima eleição, em 2020. Lee levou para casa o prêmio de melhor roteiro adaptado por "Infiltrado na Klan", uma história sobre um policial negro que conseguiu se infiltrar nos estratos mais altos da organização Ku Klux Klan, na década de 1970.

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Spike Lee levou anotado o discurso em que fala do racismo na América e de seus ancestrais, como a avó (Foto: Reprodução)

Em um discurso onde reviu a história da escravidão nos Estados Unidos, Lee lembrou de sua avó, que foi para a faculdade, "apesar do fato de que ela era uma escrava" e - sem mencionar Trump - pediu aos eleitores que se posicionem "no lado certo da história".  E disse que foi através do dinheiro do seguro social poupado pela da avó, que teve a oportunidade de estudar no Morehouse College e cursar a universidade de cinema de Nova York.

"Seria bom se Spike Lee pudesse ler suas anotações - ou melhor ainda - não ter de usar qualquer anotação enquanto fazia esse ataque racista contra seu presidente", afirmou Trump em um tuíte. Trump defendeu-se dizendo que "fez mais pelos afro-americanos" do que qualquer outro presidente na história, citando a reforma da justiça penal, o desemprego em um mínimo histórico e os cortes fiscais.

O cineasta Lee fez ainda um apelo para que os americanos votem. "A eleição presidencial de 2020 está próxima. Vamos nos mobilizar, ficar do lado certo da história. Vamos fazer a escolha moral entre o amor e o ódio, vamos fazer a coisa certa!", exclamou.

Por mais de 30 anos, Lee cativou o público - e algumas vezes enfureceu - com seu retrato provocativo dos Estados Unidos, com uma mistura de entretenimento, ativismo e raiva. Muitos de seus filmes têm um ângulo marcadamente político, como "Faça a coisa certa" e "Malcom X".

Cinema mexicano se consagra em Hollywood

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A conquista de Alfonso Cuarón de seu segundo Oscar como melhor diretor do autobiográfico "Roma" confirma a vitória dos cineastas mexicanos em Hollywood, agora com um filme em espanhol e língua indígena, em um contexto de difícil coexistência da Era Trump. O drama da Netflix, filmado em preto e branco, com elenco e equipe inteiramente mexicanos e que marcou a volta de Cuarón às filmagens em seu país após 26 anos, recebeu três das dez estatuetas que disputava.

Para alguns críticos locais, "Roma" confirma o lugar de destaque dos cineastas mexicanos na nação vizinha em meio à Era de Donald Trump, mas também a necessidade de que esses longas sejam reconhecidos dentro de seu país.

"O sucesso de 'Roma' se deve, sim, a Cuarón, mas também a toda sua equipe de trabalho, desde as atrizes, até o design de produção e som", disse o presidente da Academia Mexicana, Ernesto Contreras. "A projeção alcançada por este filme é histórica e é benéfica para o cinema mexicano", acrescentou o cineasta.

A história de sucesso dos mexicanos no Oscar começou em 2014, quando Cuarón e Emmanuel Lubezki receberam a estatueta por "Gravidade", protagonizada por Sandra Bullock, que ganhou sete prêmios, inclusive melhor diretor e melhor fotografia.

No ano seguinte, Alejandro González Iñárritu voltou com "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)", que lhe coroou melhor diretor, além de receber melhor filme, fotografia e roteiro original. Em 2016, recebeu seu segundo Oscar de direção com "O Regresso.

O mesmo filme rendeu a Lubezki seu segundo prêmio de melhor fotografia.

Em novembro de 2017, o projeto interativo "Carne e areira" rendeu um Oscar Especial, que a Academia entrega fora de competição, a González Iñárritu e, meses depois, em 2018, seu colega Guillermo del Toro recebeu a estatueta de melhor diretor por "A forma da água". "Hollywood se deu conta de que no México estão sendo feitas coisas muito interessantes, não nós nos Estados Unidos (...) mas também na Europa, onde os cineastas mexicanos ocupam um espaço importantíssimo", disse o crítico e pesquisador Rafael Aviña.

Assim como os chamados "três amigos" – Cuarón, Del Toro e Iñárritu - ganharam um espaço de destaque em Hollywood, outros diretores, como Amat Escalante, Carlos Reygadas e Michel Franco fizeram o mesma em festivais europeus, como Cannes, Berlim e Veneza. "Os mexicanos conquistando Hollywood e outros lugares na Europa, isso definitivamente continuará, é um tem imparável", garantiu Aviña.

O fenômeno "Roma" não apenas trouxe visibilidade às empregadas domésticas através da personagem de Cleo -interpretado pela atriz de origem indígena Yalitza Aparicio -, mas mostrou o arraigado classismo e racismo da sociedade mexicana, bem como o tema migratório.

"Quero agradecer à Academia por reconhecer um filme centrado em uma mulher indígena (...) uma personagem que historicamente foi relegado no cinema", disse Cuarón ao receber o Oscar de melhor diretor. "Como artistas, nosso trabalho é olhar para onde outros não olham", acrescentou.

Os críticos concordam que o sucesso triunfal de "Roma" em festivais e premiações deixa um enorme desafio ao cinema mexicano: despertar o interesse do público em ver filmes de qualidade, além dos mais comerciais. "Se servir como estímulo para que nosso público confie nos filmes mexicanos de autor e que o Estado apoie sua realização, teremos dado um grande passo", conclui o crítico Carlos Bonfil.



Spike Lee levou anotado o discurso em que fala do racismo na América e de seus ancestrais, como a avó
Alfonso Cuarón dirige a inexperiente Yalitza Aparicio no set de "Roma"
Alfonso Cuarón conquistou o Oscar de melhor diretor por "Roma"