Versatilidade de estilista vai da gastronomia ao red carpet

Quando perdemos um grande estilista, como Karl Lagerfeld, é inevitável que pensemos "ah, não há mais estrelas na moda". Mas basta um comentário de um amigo, uma coleção de um estudante ou até uma descoberta em uma feirinha para ver que há talentos que merecem ser acompanhados.

Talvez não seja o caso do Guilherme Tavares. Afinal, não é de hoje que ele encanta com suas ideias pouco vestíveis. Mas sempre originais, já que o menino de Duque de Caxias começou a desenhar com cinco anos, observando os trabalhos da família de costureiras e alfaiates.

Só que o irmão mais velho, trabalhando como chef de cozinha, convocou Guilherme como assistente nos afazeres de forno e fogão. Mesmo às voltas com frutas e legumes, o garoto começou a inventar roupas com os ingredientes. Um pouco no estilo Arcimboldo, o pintor italiano dos anos 1500, mas com a ousadia de transformar aquele verdadeiro hortifruti em peças confeccionadas.

"Fiz alguns cursos, mas me considero autodidata. Depois que me apresentei no programa do Faustão, acho que em 1994 (não tenho certeza), fui convidado a desfilar uma destas coleções em Milão e em Bergen, na Noruega. Depois, produzi um calendário com o tema Natureza Viva, vestindo Preta Gil, Camila Morgado, Danielle Winits, Carmo della Vecchia, Christiane Torloni, Mônica Martelli.", conta Guilherme, que atualmente mantém o ateliê em Xerém, "para ficar perto da minha mãe, saí do estudio no Leblon. Algumas clientes vêm até aqui, ou atendo em private".

A amizade com celebridades e artistas reforçou o conceito de Haute Culture, expressão derivada da original francesa Haute Couture, muito vista nos tapetes vermelhos dos eventos de famosos. O lançamento da nova série foi em Punta del Este e está registrado com estrelas como Juliana Paes no site produzido com a beleza por Fernando Torquatto.

A Amazônia para vestir

Desde o ano passado, entre as ações sociais que ajuda, como a Amicca (para crianças com câncer) e a Viva Cazuza, Guilherme sonhava com a possibilidade de ajudar no reflorestamento das nascentes do Rio Amazonas. "Procurei a ONG SOS Amazônia e decidi criar uma coleção cápsula de camisetas de algodão com estampas com referências de fauna e flora da floresta" acrescenta Guilherme. que mais uma vez contou com modelos famosos como Pepeu Gomes, Ellen Jabour, Ivo Meirelles, Yuri Ribeiro. Por enquanto as camisetas amazônicas são vendidas pelo instagram ou pelo site do criador, a R$ 99,90, com 10% dos lucros revertidos para a Amazônia.

Em breve, Guilherme mostra a nova coleção Haute Culture. Até que fiquem prontas as peças em sedas e rendas, as multimarcas do Brasil e Europa recebem a Amazônia em forma de moda.