A volta do informal masculino

Rede de lojas Elle et Lui ganha conceito de clube e investe em franquias

O que define um bom produto? A qualidade, o estilo e o conforto, quando se trata de vestimenta e seus acessórios. Se for muuuito bom, acrescenta-se a atemporalidade, o fator que ou transforma a peça em ícone (como o New Look da Dior ou as sahariennes de Yves Saint Laurent) ou em companheira de uso durante décadas nos guarda-roupas. Eventualmente perdem o lugar nos cabides, quando os usuários engordam.

Esta atemporalidade, mais a alta qualidade e o conforto, garantiram a volta da Elle et Lui, marca fundada em Copacabana por Al Abitbol em 1962, que se prepara para entrar no mercado de franquias no Brasil.

Macaque in the trees
Reduzidas em metragens, as lojas de cerca de 60m2 ganham projeto simples e versátil, para facilitar as franquias (Foto: Fotos: Ines Rozario)

"Foi justamente por aí que vimos a possibilidade de retomar a marca e as lojas. Nas duas edições do outlet do Veste Rio participamos e vendemos tudo, enquanto os compradores perguntavam se nos interessávamos por franquias", contou Rebeca Calixto, diretora geral do grupo Elle et Lui.

A volta foi radical. Só para dar uma ideia do custo, algumas lojas mantinham um funcionário só para abrir a porta e dar bom dia. As lojas de 300 m2 de shopping, com aluguéis acima dos R$ 100 mil, no mínimo 20 funcionários em dois turnos, foram desativadas, a Elle et Lui Maison, na Rua Garcia d'Ávila virou a loja conceito das Havaianas, um dos endereços principais, na esquina da Ataulfo de Paiva com Almirante Pereira Guimarães recebe agora as frutas e legumes do HortFruti. Da rede original restou a loja própria, em frente à Praça Nossa Senhora da Paz, onde ainda há a linha feminina e parte da parte de decoração, um dos pontos fortes da ambientação, famosa pelo bom gosto.

Macaque in the trees
Um dos sucessos atemporais da Elle et Lui, o sapato de couro com borla na gáspea (Foto: Ines Rozario)

A renovação entrou no impasse: como caracterizar a mudança, já que era preciso adaptar os custos aos novos tempos de consumo menor? "Focamos no masculino, criamos um conceito aparentemente mais fechado, com o nome Clube Elle et Lui. São lojas menores de 60m2, em pontos estratégicos. Todos os shoppings nos procuraram, estamos inaugurando também em alguns, em espaços menores. Interessante lembrar que, como o Michel (Michel Abitbol, filho do Al) sempre pagou tudo em dia, quando entramos em crise ninguém propôs ajuda. Achavam que não seria preciso, já que a Elle et Lui nunca devia nada. Vamos investir forte também no e-commerce"

Neste ponto, confirma-se a teoria do bom produto. Entrar numa Elle et Lui parece uma viagem ao tempo em que os homens conhecido pela elegância casual, tipicamente carioca, como o colunista Zózimo Barroso do Amaral vestiam as calças jeans e as camisas polo com a bandeirinha bordada no peito. Porque está tudo lá, de novo, nas prateleiras leves, em madeira e frisos de metal escuro, pensadas para facilitar a ambientação das franquias, projeto assinado pela arquiteta Juliana Neves, do escritório Kube. Em alguns recantos destacam-se os gaveteiros e pequenas cômodas, clássicos que em breve devem voltar aos estoques do lado Maison da Elle et Lui.

"Nosso forte sempre foi a cartela. As polos básicas têm opção de umas 20 cores, contando com a renovação com debruns e listras nos modelos. As camisetas também voltaram com as bandeirinhas bordadas _ a pedido dos clientes! Outro detalhe forte, o sapato. Nesta coleção os drives estão fazendo sucesso, relançamos os modelos sociais, com borlas de couro na gáspea e um mocassim de camurça, para usar sem meia", vai mostrando Rebeca.

O século 21 atropelou muitas marcas de moda masculina, graças à fúria do streetwear e da interferência do sportswear como roupa urbana, distante das quadras e estádios. Pode ter sido esta uma das razões da crise no trabalho da família Abitbol. Mas o tal conceito de produto bom acaba predominando e trouxe de volta este jeito fácil de vestir, até na difícil ala dos ternos.

Macaque in the trees
Em estilo italiano, mocassim de camurça para usar com bermuda e sem meia (Foto: Ines Rozario)

"Para inovar, Michel criou forros em estampas joviais, como xadrezinhos em cores claras. Para os consumidores mais clássicos, este detalhe rejuvenesce até os blazers de botões dourados", mostrou Ana Alves, responsável pelo estilo, com passagens pela Mesbla, Claudia Simões e Zinzane.

Sem carteirinha

O Clube Elle et Lui não tem carteirinha de sócio. O lado exclusivo pode estar na faixa de preços, nem absurdos, nem fast fashion. As polos custam a partir de R$ 169, as bermudas, desde R$ 199, os sapatos drive, R$ 299, um jeans (em todos os tons, com pouco esmerilhado, que é o aspecto puído), a partir de R$ 239 e os sapatos de couro, R$ a partir de R$ 519. E voltou também a cobiçada mala de mão de camurça com galão verde e vermelho, por R$ 839.

Um look típico do Clube? Bermuda de alfaiataria (15 cores para escolher), camisa social de mangas arregaçadas e mocassim sem meia. Nota-se a clara intenção de atrair o avô, o pai e o neto de 20 anos como clientes. Ainda há a atração final: as compras seguem embaladas dentro das tradicionais caixas com estampa de zebra. As antigas provavelmente ainda ocupam lugares de honra nos closets cariocas.



Reduzidas em metragens, as lojas de cerca de 60m2 ganham projeto simples e versátil, para facilitar as franquias
Um dos sucessos atemporais da Elle et Lui, o sapato de couro com borla na gáspea
Em estilo italiano, mocassim de camurça para usar com bermuda e sem meia
Na volta da marca, até a caixa zebrada gera expectativa por parte dos adeptos
Na vitrine do Leblon, as calças jeans em dois momentos: com o blazer clássico ou com a nova polo
A ala formal tem cortes mais ajustados e cores neutras
Para as viagens curtas, a mala de camurça com galão também lembra a fase pré-clube


Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais