A irreverência de Lalau

Com fotos, crônicas e cartas para Drummond e Jorge Amado, mostra fica em cartaz até sexta-feira

Em cartaz até a próxima sexta-feira, 1º de fevereiro, na Casa de Rui Barbosa, a exposição "Sérgio Porto e Stanislaw Ponte Preta, 50 anos depois" lembra o jornalista e escritor por ocasião do meio século de sua morte, em setembro de 1968;

Aberta ao público desde o segundo semestre do ano passado, a mostra chama a atenção do público também pelo acervo permanente guardado pela casa no AMBL (Arquivo Museu de Literatura Brasileira da Casa de Rui Barbosa), porém traz material extra cedido pela família do jornalista. "É uma exposição pequena, mas muito bem feita, porque, apesar de sucinta, mostra bem a trajetória dele, em uma bela homenagem", resume Angela Porto, filha do jornalista, que colaborou com a curadoria.

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Edição final de 'A Carapuça', colaboradores noticia morte de seu criador (Foto: Divulgação)

"A Casa de Rui Barbosa só não tem as fotografias, que foram, cedidas pela família, para ilustrar os painéis", acrescenta.

Uma das publicações demonstra bem a sua irreverência - no caso, seguida por seus colaboradores na quinta e última edição do jornal satírico "A Carapuça", um "semanário hepático-filosófico", que ele havia lançado em agosto de 1968, sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, talvez mais famoso que seu próprio nome de registro.

Mesmo citando "nosso profundo sentimento individual de perda", o bom humor não morria nem no obituário de Sérgio Porto, que partiu precocemente aos 45 anos, vítima de problemas cardíacos. "Num domingo, 29 de setembro, Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, deixou de existir", trazia o editorial, ao lado de um anúncio tão fictício quanto certeiro, satirizando a dificuldade de se conseguir uma linha telefônica na época, ao recomendar o "serviço de recados" de um certo "Capitão Joaquim" - coincidentemente, ele os levaria, de carroça, ao Centro, saindo da mesma Rua São Clemente em que fica o local da atual exposição. "Não caia na conversa do Plano de Extensão da Cia. Telefônica" - de fato, a Telerj seria privatizada, três décadas depois, sem concluir sua extensão anunciada e protelada à exaustão.

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Mostra chama para acervo fixo sobre Sérgio Porto (Foto: Divulgação)

Outros ícones selecionados trazem fotos em aparições públicas e culturais do criador do concurso de vedetes "As certinhas do Lalau", além de documentos pessoais e a correspondência dele com pessoas da família e amigos.

Há cartas trocadas com Carlos Drummond de Andrade, sobre gírias cariocas, e com Jorge Amado, apresentando à ABL (Academia Brasileira de Letras) seu "A Casa Demolida" (1963) - revisão de "O homem ao lado" (1958).

Entre as imagens, Sérgio Porto aparece, por exemplo, em programas como "O céu é o limite", apresentado por Aurélio Campos, na TV Tupi de São Paulo.

Juntos, compõem os quatro livros que o autor escreveu sob o nome de batismo, os quais incluiriam ainda "As cariocas", que basearia o filme dirigido em 1966 por Fernando de Barros e a posterior série de TV da Rede Globo.

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Edição final de 'A Carapuça', colaboradores noticia a morte de seu criador, no mês seguinte à sua fundação, em 1968 (Foto: Divulgação)

A maioria de seus livros foi escrita mesmo como Stanislaw Ponte Preta - dez, do total de 14, entre eles as três edições do sempre essencial "Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País)", entre 1966 e 1968.

"Por se tratar de uma mostra de dimensões bem pequenas, escolhemos destacar aspectos da vida privada e da produção intelectual do Sérgio Porto. Pontos de sua trajetória", explica a historiadora Cláudia Mesquita, curadora da mostra.



Edição final de 'A Carapuça', colaboradores noticia morte de seu criador
Mostra chama para acervo fixo sobre Sérgio Porto
Edição final de 'A Carapuça', colaboradores noticia a morte de seu criador, no mês seguinte à sua fundação, em 1968