Caminhos para a reinvenção: confira crítica de 'Asako I & II'

Ryüsuke Hamaguchi conseguiu um feito que é para poucos: entrou na competição principal do Festival de Cannes mesmo não sendo um autor mundialmente conhecido ainda. Há dez anos dirigiu seu primeiro longa, mas só veio chamar a atenção há três anos no Festival de Locarno com ‘Happy hour’ de meras quase cinco horas de duração. A julgar por esses dois filmes, os dias de ostracismo acabaram. Baseado em best-seller japonês, “Asako I & II” é um tratado sobre o recomeço, em como lidar com a reinvenção obrigatória e uma sensível história de amor bifurcada.

A jovem Asako se apaixona pelo desajustado Baku a primeira vista, e encara o incerto romance com um rapaz que a qualquer momento pode sumir, e é o que acontece. Dois anos depois, Asako trocou Osaka por Tokyo e ainda sofre pela decepção. Até conhecer Ryohei; fisicamente idêntico a Baku, mas o oposto em personalidade. Enfeitiçada, Asako começa o segundo tempo de uma história exclusivamente sua, sem observar nada a sua volta. Até que suas duas histórias colidem e provocam nela a reflexão que nunca tinha acontecido.

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Asako tem caminhos a tomar no filme de Hamaguchi (Foto: Divulgação)

De desdobramentos tão delicados quanto desconcertantes, o longa de Hamaguchi tem a típica suavidade oriental, aqui mascarando um estudo de personagens dos mais ricos. Brota um universo absolutamente crivel ao redor da personagem-título, uma jovem tentando reinventar a si mesmo através do percurso de seus desejos. Com um elenco irretocável que compra o naturalismo ambíguo proposto pelo diretor, que passeia sua narrativa por um caminho de opções, e observa o poder destrutivo que o livre arbítrio pode adquirir. De forte impacto emocional, “Asako I & II” é um dos grandes acertos do ano.

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ASAKO I & II: **** (Muito Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom