A jornada inusitada de um herói: confira crítica de 'Diamantino'

Vencedor do prêmio principal da Semana da Crítica do Festival de Cannes desse ano, “Diamantino” é provavelmente o filme mais corajoso e inusitado a entrar em cartaz no Brasil esse ano. Típico representante do novíssimo cinema português, o filme é uma co-produção Portugal-Brasil dirigido por Daniel Schmidt e Gabriel Arantes, uma dupla a se acompanhar. A narrativa passa pela comédia, pela ficção científica, pela espionagem e pela política sem atropelar temas e criando um amálgama narrativo refrescante. Quase todos os alvos pretendidos são alcançados.

Diamantino é o maior jogador português de futebol no auge da carreira. Ao perder a concentração na final da Copa do Mundo, o jovem ídolo entra em crise pessoal, que acaba por impedi-lo de jogar. É nesse momento que um encontro com refugiados políticos mudará sua vida, e suas irmãs gêmeas farão de tudo para não perder a galinha dos ovos de ouro. Paralelo a isso, um grupo terrorista decide se aproximar de Diamantino, fazendo sua vida mudar completamente e revelando sua pureza.

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Os cachorrinhos felpudos de "Diamantino": cenas impagáveis num misto de comédia com sci-fi (Foto: Divulgação)

Repleto de anarquia, o filme é uma metralhadora giratória que aponta para Portugal, para a indústria de celebridades, para a crise dos refugiados europeus, para o próprio cinema, e para tantas outras coisas, a maioria são impagáveis. O filme é de uma geração do cinema português que está disposta a acertar através dos erros e do excesso, como João Salaviza e João Nicolau. Radical até o osso, não se trata de um produto de fácil assimilação, mas sua picardia non-stop é a mola que move um roteiro arriscado que assusta em sua ousadia narrativa. Aliado a performance brilhante de Carloto Cotta, “Diamantino” é um filme raro, e por isso mesmo, inesquecível.

*Membro da ACCRJ

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DIAMANTINO: **** (Muito Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom