Uma radiografia do virtuoso Mike Leigh

Um dos raros realizadores do mundo a ter no currículo uma Palma de Ouro de Cannes (conquistada em 1996, por “Segredos e mentiras”) e um Leão dourado de Veneza (recebido em 2004, por “O segredo de Vera Drake”), o inglês Mike Leigh - objeto de uma retrospectiva que o Centro Cultural Banco do Brasil inicia nesta quarta-feira - anda muito seletivo com seu tempo, ocupado com a estreia mundial de um projeto inédito: “Peterloo”. Previsto para chegar ao circuito nacional só em 2019, esta produção inédita - sobre um massacre lendário em Manchester - é a única exceção de uma impecável seleção, que dá conta das múltiplas façanhas do homenageado.

Aos 75 anos, Leigh é autor de peças que sacudiram os palcos britânicos como “Grief”, é realizador de experimentos televisivos essenciais para a representação do cotidiano no Reino Unido (como “Play for today”) e um ícone da desconstrução do naturalismo direção de atores. Suas virtudes podem ser conferidas da seleção do CCBB-RJ, que traz cults como “High Hopes” (1988) e “Naked” (1993), entre seus 24 filmes (3 curtas e 21 longas).

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Brenda Bethlin (esquerda) e Marianne Jean-Baptiste em "Segredos e mentiras", produção de 1996, rendeu o Leão de Ouro ao cineasta inglês (Foto: Divulgação)

“Estamos vivendo dias de muita intolerância política no mundo”, disse Leigh ao JB em Veneza, onde “Peterloo” disputou o Leão de Ouro, falando da repressão das forças governamentais da Inglaterra a um protesto popular. “Aquele episódio reflete a luta pela democracia”.

No evento do CCBB, que vai até o dia 22, serão exibidos marcos da trajetória audiovisual de Leigh em formato 35 mm: o já citado “Segredos e Mentiras”, “Garotas de Futuro” (1997), “Topsy-Turvy – O espetáculo” (1999) e “Agora ou Nunca” (2002). No dia 17, haverá uma masterclass sobre o processo criativo de Leigh com o professor da UFF João Luiz Vieira (os interessados devem se inscrever no emai [email protected]