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Cultura

Baile do Almeidinha faz tributo a Bob Marley e Gilberto Gil

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Com tributo a Bob Marley e Gilberto Gil, o Baile do Almeidinha volta hoje ao Circo Voador depois de cinco meses. Em noite puxada ao reggae e ramificações, a gafieira comandada pelo bandolinista Hamilton de Holanda traz como convidado o cantor Alexandre Carlo Cruz, líder da banda brasiliense Natiruts. Dessa vez, ainda haverá um show de abertura, por conta do trio de dubcore Nuggetz, também de Brasília.
A última edição do Almeidinha sob a lona da Lapa foi em junho, com uma homenagem especial à cantora e compositora Dona Ivone Lara, criadora de clássicos do samba como “Sonho meu”, “Sorriso negro” e “Mas quem disse que eu te esqueço”, que partira dois meses antes, aos 96 anos, além de uma canja surpresa do violonista Romero Lubambo, radicado desde 1985 nos Estados Unidos.
É uma constante do baile, que, em seus cinco anos, reuniu músicos que foram de Carlos Malta a Alcione, de Rael de Souza a Xande de Pilares, de Geraldo Azevedo a Marcelo D2, de Roberta Sá a Nicolas Krassik, de Hermeto Pascoal a Diogo Nogueira.

Macaque in the trees
O bandolinista Hamilton de Holanda lidera o tradicional baile, que receberá o Natiruts para interpretar reggaes de gênio jamaicano e do compositor baiano (Foto: divulgação)

Um deles, Armandinho (d’A Cor do Som), já tocou música de um dos homenageados de hoje no baile, duelando as cordas de sua guitarra baiana com as dos bandolim de Hamilton em “Expresso 2222”.
O repertório desta véspera tende a cair mais para o lado reggae de Gilberto Gil, adotado principalmente a partir da década de 1980, em músicas como “Vamos fugir” – gravada na Jamaica com participação dos Wailers –, “Extra” e “Andar com fé”. Dado o outro homenageado, é de se esperar que o baile inclua “Não chore mais” (“No woman, no cry”), que o baiano fez em 1979 para a canção de Bob Marley – que morreria de câncer no ano seguinte.
O mesmo vale para músicas do jamaicano que Gil regravou em 2002, no álbum-tributo “Kaya n’gan daya”, o qual inclui hits como “One drop”, “Could you be loved” e “Positive vibration”, além de outras menos conhecidas, como “Lick samba” e “Them belly full (but we hungry)”.
Como de praxe, o convidado entra com suas músicas – também do reggae, o de hoje é autor de sucessos como “Presente de um beija-flor”, “Liberdade para dentro da cabeça” e “Não chore, meu amor”.
Reggaes à parte, não há de faltar o tradicional repertório (quase) fixo do Baile do Almeidinha, com choros, sambas e ciranda para abrir roda na plateia do circo.

O repertório inclui “obrigatórias”, como “Chega de saudade” (Tom Jobim/Vinicius de Moraes), “Sem compromisso” (Geraldo Pereira/Nelson Trigueiro) e. Hamilton ainda garante novidades, como a inédita “Bolero de mãe”.
Com Marcelo Caldi (acordeom), Rafael Dos Anjo (violão), Guto Wirtti (baixo acústico), Thiago da Serrinha (percussão), Xande Figueiredo (bateria), Eduardo Neves (flauta e sax) e Aquiles Moraes (trompete), Hamilton de Holanda ainda fecha o baile de forma certeira, sempre com “Timoneiro”, de Paulinho de Viola, com letra de Hermínio Bello de Carvalho.

Serviço

HAMILTON DE HOLANDA - BAILE DO ALMEIDINHA
CIRCO VOADOR. Rua dos Arcos, s/n, Lapa. Tel.: 2333-0354. Hoje, com abertura dos portões às 22h. Ingressos na bilheteria ou pelo site tudus.com.br. Entrada: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia, válida também para quem levar 1 kg de alimento não perecível).