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Thriller argentino Vermelho sol traz o olhar do fotógrafo de Aquarius

Jornal do Brasil RODRIGO FONECA *

Velho conhecido dos brasileiros por sucessos de Almodóvar como “Fale com ela” (2002) e “Julieta” (2016), além de ter participado de “Relatos selvagens” (2014), o argentino Darío Grandinetti empresta a austeridade que faz dele um dos mais disputados atores da cena teatral de Buenos Aires e de toda a indústria audiovisual de seu país a um thriller que se candidata a cult no Festival do Rio 2018: “Vermelho sol” (“Rojo”). Há um mês, o filme do hermano Benjamin Naishtat, fotografado pelo pernambucano Pedro Sotero (de “Aquarius”) deixou o Festival de San Sebastián, na Espanha, com um balde de prêmios. Benjamin levou o de melhor direção; Sotero, o de melhor fotografia; e Dario, o de melhor ator. A projeção em Toronto também foi consagradora, com elogios sobretudo para uma apoteótica sequência de um eclipse, retratada em tons rubros.

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Xodó de Pedro Almodóvar, Dario Grandinetti ganhou o prêmio de melhor ator em San Sebastián pelo papel de um advogado com máculas do passado em "Vermelho sol" (Foto: Divulgação)

“No cartaz argentino do filme há uma frase: ‘Quando todos se calam, ninguém é inocente’, mostrando que há um elemento político de distorção no silêncio que pontua essa narrativa fotografada pelo Sotero com elementos dos filmes de Sideny Lumet, de Sam Peckinpah e de ‘A conversação’ de Coppola, , diz Benjamin, um dos primeiros diretores estrangeiros, no rol de estrelas internacionais trazidas pelo Festival do Rio, a chegar à cidade. “É um olhar para as idiossincrasias do ódio que se manifestam no medo da classe média de perder o que tem”.

Secura hiper-realista

“Benjamin é um diretor muito objetivo em seus desejos, que me deu, além do roteiro, uma série de fotos de época que serviram de referência, numa pesquisa que nos levou a clássicos do cinema policial americano dos anos 1970”, diz Sotero.

A secura hiper-realista à moda Peckinpah e a explosão de vermelho que dá nome ao filme se manifestam nas transformações pelas quais a rotina do advogado Claudio (papel de Grandinetti) passa após uma acalorada discussão em um restaurante. Estamos na Argentina dos anos 1970. E a briga, por conta de uma mesa em um restaurante, revela sutilmente uma tensão política. Esta vai explodir quando Claudio visita uma casa que um amigo pretende comprar e vê sinais de violência e sangue no local. A presença de um detetive interessado em saber o rumo da vida de Claudio amplia a paranoia.

“A ideia era de que essa conjuntura política fosse entendida pela lógica do cinema policial”, diz Naishtat. “Nosso interesse era retratar o início do horror estatal, a ditadura, na Argentina”.

O rol de convidados internacionais do Festival do Rio 2018 inclui ainda mais dois talentos do cinema argentino, a diretora Ana Katz (de “Sueño Florianópolis”) e o produtor e também diretor Juan Vera (que dirigiu o muso Ricardo Darín em “Um amor inesperado”). Além deles, a estrela de maior quilate é o premiado cineasta francês Olivier Assayas, que vem lançar “Vidas duplas”, com Juliette Binoche.

*Roteirista e crítico de cinema



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