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“Hamilton de Holanda toca Jacob do Bandolim”

Quando se fala em bandolim na MPB, duas referências emergem imediatamente, uma histórica e outra contemporânea. A primeira, claro, é Jacob do Bandolim (1918-1969), maior estilista do instrumento no Brasil e que ajudou a formatar o choro (e outros estilos) com suas gravações a partir da década de 1940. A segunda é Hamilton de Holanda, que adotou o bandolim como ferramenta preferencial ainda na infância e que, atuando desde os anos 1990, se tornou um dos maiores nomes da música instrumental brasileira. A caixa “Hamilton de Holanda toca Jacob do Bandolim” mostra o músico carioca mergulhando de forma profunda na obra de Jacob, em uma homenagem ambiciosa ao centenário de nascimento do mestre.

São quatro CDs, cada um trazendo a obra de Jacob para um universo distinto. “Jacob 10zz”, no qual Hamilton é acompanhado por Guto Wirtti (contrabaixo acústico) e Thiago da Serrinha (percussão), explora a vertente jazzística das ricas harmonias de clássicos como “Assanhado”, “Nostalgia” e “Naquela mesa”. “Jacob bossa” coleta 12 composições, todas de Jacob e/ou celebrizadas por ele, e vira a chave do choro para a Bossa Nova. Neste volume, Hamilton e Wirtti ganham a companhia de Marcelo Caldi (piano e acordeom) em regravações como “Gostosinho” e “Chorinho na praia”. Para o volume “Jacob black”, a ambiência escolhida foi a vasta tradição de ritmos afro-brasileiros. Acompanhado pelo violão de Rafael dos Anjos e a percussão de Tiago da Serrinha e Luiz Augusto, o bandolinista incluiu músicas como “Biruta”, “Sereno” e “De coração a coração” no repertório. Para fechar, em tom mais lúdico, “Jacob baby” é voltado ao público infantil, com compassos mais calmos e timbres de caixinha de música para sucessos como “O voo da mosca”, “Pérolas” e “Noites cariocas”.

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Hamilton de Holanda toca Jacob do Bandolim (Foto: Reprodução)