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Cultura

Mercado musical mira no futuro

Inteligência artificial é foco do Music Trends Brasil, que reúne cerca de 40 painéis e workshops no Centro até sexta

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Com a mira nas próximas tendências, começa hoje a 3ª edição do Music Trens Brasil (MTB) , evento que reúne alguns dos principais profissionais da indústria fonográfica, no Centro Cultural Light (Avenida Marechal Floriano, 168, Central).

Com cerca de 40 painéis, palestras e workshops, de hoje a sexta-feira, das 9h45 às 20h, o encontro, mais do que analisar a situação atual do setor, busca mostrar para onde o mercado aponta, em especial o uso da inteligência artificial.

O próprio nome (“tendências da música”, em inglês) demonstra esse caráter da conferência, lembra Luciana Pegorer, organizadora do MTB. “O streaming, que foi o tema do ano passado, já é uma realidade, não mais uma tendência, embora continuemos a tratar dele, em alguns painéis”, aponta, sobre a ferramenta de distribuição digital que cresceu 64% em 2017 no Brasil, contribuindo para a alta de 18% no mercado fonográfico nacional, em relação a 2016, gerando receita US$ 295,8 milhões – cerca de R$ 1,1 bilhão pela cotação atual.

Com Scott Cohen, cofundador da empresa de distribuição digital The Orchard, a abertura do evento aborda um de seus principais focos, na palestra “A Quarta Revolução Industrial e a Indústria da Música”, às 10h de hoje.

“Depois da internet, vem a inteligência artificial e de que forma ela vai influenciar os hábitos de consumo a partir de agora”, afirma Luciana Pegorer. Além do já conhecido monitoramento de buscas dos clientes em busca de música para traçar seus perfis e selecionar ofertas que os interessem, o uso da robótica na composição entra com peso na pauta.

“Hoje, temos empresas utilizando inteligência artificial para compor para plataformas digitais e trilhas sonoras. Muitos compositores também a utilizam de forma auxiliar, mas a tendência é de que os robôs passem a ser usados como objeto principal, o que gera um novo desafio: como isso afeta o direito autoral”, alerta a organizadora do evento, acrescentando que “hoje, os grandes hits internacionais são compostos por times de duas, três produtoras. No Brasil, o sertanejo tem os compositores dele. Temos aí mais dois pontos que abordamos: sobre se essa onda dura, para onde vai, o que pode vir e como as pessoas estão se reunindo para compor”.

O MTB também está atento ao retorno de fitas, que voltaram a ser produzidas na Polysom, que já fabricava discos de vinil. Planet Hemp (com o álbum de estreia “Usuário”, de 1995), Nando Reis e Elza Soares são alguns que tiveram trabalhos relançados em cassete. “Bandas passaram a dar como brinde”, conta Luciana, que cita o mercado inglês como antecipador de tendências.

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"Usuário", estreia do Planet Hemp, foi relançado em fita (Foto: divulgação)



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