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Cultura

Museu de Arte Urbana do Porto cataloga murais e promove visitas guiadas pela Zona Portuária

Jornal do Brasil LETÍCIA HÖFKE, leticia.hofke@jb.com.br

Dedicado aos grafites e a céu aberto, o Museu de Arte Urbana do Porto (Maup) é o mais novo espaço cultural da cidade. Ele é composto pelos 50 murais de dimensões monumentais que estão espalhados por Santo Cristo, Gamboa e Boulevard Olímpico, um acervo que vem sendo construído desde 2013, quando o Porto começou a ser revitalizado e os muros se tornaram telas para grandes pinturas.

O trabalho do Maup é mapear toda essa arte urbana da região através de uma plataforma online - ligada ao Google Maps -, que permite ao usuário saber onde as obras estão, em que data foram feitas, qual a técnica utilizada na pintura e conhecer um pouco mais sobre a produção de cada artista. Uma das obras mais recentes a entrar para o acervo do novo museu foi a do holandês Leon Keer, conhecido internacionalmente pelos seus desenhos anamórficos e em 3D. Sua máquina de escrever com mensagens amorosas pode ser admirada na Avenida Rodrigues Alves.

Com a iniciativa, a rua vira um grande museu, que pode ser visitado 24 horas por dia. Além disso, não há curadoria ou critérios para escolha das obras, uma democratização da arte. No Porto, artistas conhecidos dividem espaço com iniciantes e o museu ajuda a juntá-los em um roteiro de murais. “É um museu democrático. Qualquer um que fizer uma arte lá pode entrar no catálogo”, diz André Bretas, um dos idealizadores do projeto.

Macaque in the trees
"Etnias", de Eduardo Kobra, é um dos grafites mais famosos do Porto (Foto: Marcos Tristão)

As artes podem ser conferidas em dois roteiros distintos para serem feitos a pé. O do Boulevard Olímpico dura aproximadamente duas horas e conta com 20 grafites de artistas como a carioca Panmela Castro - conhecida por suas pinturas feministas e que denunciam a violência doméstica - e Eduardo Kobra, autor do gigantesco mural “Etnias”, 15m de altura por 170m de comprimento - que entrou no “Guinness” em 2016 como o maior grafite do mundo. Nesse percurso, também há obras do carioca André Kajaman, um dos organizadores do projeto Meeting of Favela, evento colaborativo de grafite que reúne anualmente mais de 300 artistas do Brasil. Já o roteiro do Santo Cristo leva por volta de quatro horas e percorre os murais localizados da Gamboa até o Boulevard, incluindo obras do francês Brusk e do português Pantonio, além de trabalhos dos paulistas Titi Freak e Luna Bischinello e da dupla carioca Cosmic Boys.

O visitante pode fazer esses roteiros sozinho - utilizando o site para se localizar - ou com guias. Quem optar por uma visita guiada, que varia de preço de acordo com o número de participantes, deve agendar antes na plataforma online do museu - www.maup.rio. Futuramente, os visitantes vão poder conferir pequenas exposições de arte urbana no Maup Art Center, que ficará no prédio Aqwa Corporate, no Santo Cristo. O projeto também pretende fazer uma lojinha de souvenir com objetos ligados ao universo da arte de rua.



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