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75 tons de Macalé: Jards Macalé se apresenta hoje e no fim de semana

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Revendo amigos e fazendo novos times. Entre tabelas, triangulações e linhas de quatro, o jogo flui em constantes combinações em torno de Jards Anet da Silva. Medíocre na bola, autoirônico na persona, quando jovem o músico incorporou o apelido dado pelos colegas que o equiparavam, na pelada, a Macalé, jogador meio mais ou menos de um Botafogo de Garrincha e Quarentinha. Hoje, aos 75 anos, qual uma enciclopédia dos palcos, é convocado como um Nilton Santos por músicos mais jovens e escalado em selecionados com outros veteranos das cordas.

É nessa variação tática que Jards Macalé entre em campo hoje, com o quarteto Dobrando a Carioca, e no fim de semana, ao lado da cantora Simone Mazzer.

Macaque in the trees
Passei de fã a companheira de palco, diz Simone Mazzer (Foto: Divulgação)

Macalé, Guinga, Moacyr Luz e Zé Renato já tinham vastos históricos em 1999, quando decidiram fazer um show conjunto, durante um encontro no Bar Luiz, na Rua da Carioca, de onde tiraram o nome para o combinado. Já são 19 anos – e uma estação de metrô de distância – até a apresentação de hoje, na Cinelândia. Sobem ao palco do Rival, os quatro músicos se apresentam com seus violões e, às vezes, um deles fazendo a percussão.

“A gente abre com ‘Um a zero’, de Pixinguinha (e Benedito Lacerda), com letra feita pelo Nelson Angelo, guitarrista que era do pessoal do Clube da Esquina”, adianta Macalé. “Depois, a gente toca músicas de cada um e outras versões”.

O público não deixa eles escaparem de sucessos como “Vapor barato”, no caso de Macalé, que a compôs com Waly Salomão – inicialmente para a gravação de Gal Costa no álbum “Fa-Tal”, produzido por ele, em 1972.

Parceria com Cláudio Nucci e Juca Filho, “Toada”, do disco de estreia do Boca Livre (1979) é sempre pedida a Zé Renato, enquanto Moacyr lembra “ Saudade da Guanabara” e Guinga ataca de “Você, você”, que fez com letra de Chico Buarque. Entre os outros compositores, Zé Kéti é um dos mais revisitados no quarteto criado, segundo Moacyr Luz, para fazer um show que tivesse a cara do Rio de Janeiro, incluindo histórias contadas entre as músicas.

Do quarteto ao duo, mais trio, Jards Macalé dobra de volta para a Carioca, onde se apresenta, sábado e domingo, quase ao lado do Metrô, na Caixa Cultural – lado a lado com Simone Mazzer, com seu violão e um banquinho, e à frente de trio de guitarra, baixo e bateria, formado respectivamente por Marco Scolari, Arthur Martau e Thomas Harres.

Macaque in the trees
Guinga, Macalé, Moacyr Luz e Zé Renato (Foto: Divulgação)

Curiosamente, foi no Rival que Macalé e Mazzer dividiram o palco pela primeira vez, em 2015, quando ele foi um dos convidados a dar canja em uma apresentação da cantora. “Passei do silêncio constrangedor de fã envergonhada a companheira de palco, quando tive a audácia de convidá-lo. Para mim, coisas simples como escolher uma lista de músicas para montar um esboço de repertório, ganharam um significado maior ao me ver sentada, numa mesa na casa dele, ouvindo o mestre ao violão ali ao vivo e a cores”, entrega a cantora, que não é menos celebrada pelo parceiro.

“A Simone Mazzer é uma intérprete maravilhosa, de voz vigorosa”, elogia Macalé. A base do show é com ela interpretando músicas de autoria dele. “A gente vai dividindo. Uma coisa legal é que, além de canções mais conhecidas, como ‘Mal secreto’ (outra dele com Waly), ela pegou umas que eu não tocava há muito tempo... ‘Boneca semiótica (dele com Duda e Ricardo Chacal), por exemplo”.

Um chamariz extra nos shows da dupla na Caixa Cultural é a Entrada Solidária Verde: quem levar lixo eletrônico (aparelhos de telefonia e informática) vai pagar somente meia entrada.

Enquanto, no Rio, Macalé canta e toca, em São Paulo vai sendo mixado seu próximo disco. Patrocinado pela indústria cosmética Natura e produzido por Thomas Harres e Kiko Dinucci, com direção artística de Romulo Fróes, o álbum deve sair em janeiro.

Uma das composições adiantadas por Macalé chama-se “Buraco da Consolação”, Com letra de Tim Bernardes, guitarrista do Terno (agora, também em carreira solo), que também tocou na gravação. “Recentemente, toquei com Chico Chico, com o Metá Metá… a rapaziada me convida, de vez em quando, para tocar com eles. E eu vou”, brinca o compositor. “Eles têm um tipo de informação que me interessa. O Tim, que vem do rock, demonstrou um interesse em uma música brasileira mais antiga. Mostrei um disco do Jamelão interpretando Lupicínio Rodrigues, com arranjos do Severino Araújo, da Orquestra Tabajara e, de repente, ele conhecia esse disco e a gente ficou entusiasmado com isso e combinou de fazer uma música à la Lupicínio. Ele escreveu a letra eu fiz a música”, conta.

Encontros musicais não são novidade para Jards Macalé, que, em 2003, lançou o álbum “Amor, Ordem e Progresso” no Espaço Sérgio Porto, no Humaitá, com acompanhantes diferentes a cada show – um com a banda Vulgue Tostói, outro só com a percussionista Jadna Zimmermann. Dois anos depois, gravou com participações de Luiz Melodia, Frejat, Adriana Calcanhotto, Orquestra Imperial e tantos outros “Real Grandeza”, só com releituras de suas parcerias com Waly Salomão. Mombojó, Dorgas, O Terno, Emicida, Thais Gulin, Ava Rocha e o não menos veterano sambista Elton Medeiros estão entre os muitos parceiros com os quais Macalé vem trocando passes desde então.

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SERVIÇO

DOBRANDO A CARIOCA

TEATRO RIVAL. Rua Álvaro Alvim, 33/37, subsolo - Cinelândia; Tel.: 2240-9796. Hoje, às 19h30, com abertura da casa às 18h. Ingressos entre R$ 30 a R$ 70.

www.rivalpetrobras.com.br

 

MAZZER & MACALÉ

CAIXA CULTURAL. Av. Almirante Barroso, 2 - Carioca; Tel.: 3980-3815. Sáb.e dom., às 19h. Ingressos a R$ 30 e R$ 15 – meia, válida também com entrega de lixo eletrônico.

www.caixacultural.com.br



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