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Atores reproduzem debate presidencial

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Em março deste ano, o artista plástico e escritor Nuno Ramos experimentou deixar dois atores conectados apenas ao som da programação da TV Globo por 24 horas. No palco de A Gente Se Vê Por Aqui, eles reproduziam programas de culinária ou os filmes açucarados que passam todas as tardes.

Dessa vez, o artista recupera parte desse procedimento em Aos Vivos, que reúne elenco no Galpão do Folias para reproduzir, em tempo real, cada pronunciamento feito pelos candidatos à Presidência no debate promovido pela TV Globo que ocorre nesta quinta-feira, 4. "No primeiro trabalho, a duração era o próprio assunto. Agora, há um recorte, um momento conhecido no qual é central a arena de debates das propostas do País."

Ao todo, os 8 atores estarão organizados como no palco do debate televisivo, e conectados à programação apenas por audiofones. Sete deles são responsáveis por ouvir e reproduzir a voz de cada candidato presente e um, pela voz do mediador. Para o artista, o trabalho coloca em questão o lugar da palavra e do discurso político. "Percebemos que há uma monotonia geral, como se tudo fosse urgente, mas igualmente impotente, já que são falas que se repetem desde o primeiro debate realizado."

O trabalho de cada ator deve seguir uma via que não a de estigmatizar o candidato ou imitar sua voz, propriamente. "Minha orientação é que eles ouçam e tentem se apropriar do modo. O discurso já está lá, então é preciso acompanhar o ritmo e o fluxo de cada fala. A ideia é que são vozes ditas em corpos diferentes, não caricaturas."

Outra medida importante é que após os intervalos, o elenco terá seus papéis embaralhados. "Não queremos criar uma identificação, ou caracterizar as vozes a partir de similaridades físicas", diz Nuno.

Além do elenco de presidenciáveis, haverá uma bailarina no centro da arena executando passos da dança conhecida como dervixe, ao som de flauta e percussão, durante as três horas de duração do debate. A peça também será transmitida ao vivo em canal do YouTube.

Nuno também prepara outras duas apresentações. A segunda, unirá trechos da peça Antígona e do filme Terra Em Transe. A segunda vai recuperar elementos do debate desta quinta e a última, em caso de segundo turno, com direito à execução da trilha sonora do filme de Glauber Rocha, desde os solos de bateria até o afoxé.

Para Nuno, Aos Vivos enfrenta a mornidão característica dos debates e propõe um olhar que foge à caracterização de um personagem. "O que queremos é revitalizar o verbo, que está tão esvaziado."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 



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