Jornal do Brasil

Cultura

Tensões da sociedade americana: confira crítica de 'Ponto cego'

Jornal do Brasil RUDNEY FLORES*, Especial para o JB

O cenário de tensão racial é constante nos Estados Unidos, sendo muito forte em determinadas fases da história, como acontece agora na era Trump. Esse momento é captado em “Ponto cego”, primeiro longa do mexicano Carlos López Estrada, radicado na América.

O filme acompanha os três últimos dias de liberdade condicional de Colin (Daveed Diggs), personagem negro que tenta evitar encrencas para não voltar a ser preso, o que pode ser difícil estando sempre ao lado do branco Miles (Rafael Casal, também corroteirista da produção), amigo de infância e um chamariz de confusões.

Macaque in the trees
Filme discute posição do negro na sociedade americana (Foto: Divulgação)

No curto período da história, Colin passa por situações complicadas, levando a uma reflexão sobre a posição do negro na sociedade americana, que serve também para lembrar das dificuldades que outras etnias ou mesmo pessoas em condições financeiras desfavoráveis passam atualmente em cenários cada vez mais xenófobos e até fascistas em outros países.

O texto equilibra humor e tensão e, além da questão racial, abrange com competência a violência policial, a gentrificação na californiana Oakland, a influência das mídias, o poder do rap, entre outros temas atuais. Mesmo não sendo tão direto e contundente, o cinema de Estrada constrói pontes e dá sequência ao cinema realizado por diretores como Spike Lee.

*Jornalista

______________________________

PONTO CEGO: **** (Muito Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



Recomendadas para você