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Um Deadpool menos farofa: confira crítica de 'Venom'

Jornal do Brasil RODRIGO FONSECA*, Especial para o JB

Marvetes (alcunha dada aos fanáticos pelo universo de Stan Lee) têm motivos diversos para ir ao delírio com o divertidíssimo “Venom”, começando pela evocação ao traço incomparável de Todd McFarlane, desenhista que celebrizou o personagem, e seu alter ego, Eddie Brock, nas HQs, em 1988. A anatomia gordurosa, cheia de excessos, de McFarlane está espelhada no que o filme dirigido pelo sempre ousado Ruben Fleischer (“Zumbilândia”) tem de mais potente esteticamente: a fotografia de Matthew Libatique. Ela é saturada até o ponto certo, sem repetir fórmulas pasteurizadas dos filmes de super-herói. Até porque, este thriller de fantasia - que começa trágico, como um episódio da série do “Hulk”, com Bill Bixby, e descamba pruma chanchada na linha “Deadpool” – está mais para um “filme de monstro” com Lon Chaney Jr. (astro de “O Lobisomem”, de 1941) do que para o vigilantismo de “Os Vingadores”.

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A atuação de Tom Hardy (nos papéis de Brock e Venom) é o ponto alto na adaptação da obra de McFarlane (Foto: Divulgação)

Apesar da má escalação do vilão, Fleischer conta com a atuação em estado de graça de Tom Hardy. Ele humaniza Brock em múltiplas latitudes. Tudo aqui começa como um enredo de aceitação, protagonizado por um egocêntrico de carteirinha. Mas a narrativa sofre uma guinada, sem movimentos bruscos, para a “heroicização”, sem sacrificar a sordidez essencial. A montagem acomoda bem as cenas de ação, amplificadas pela trilha de Ludwig Göransson. As cenas pós-créditos valem a espera – uma com Woody Harrelson, outra com uma animação no “Aranhaverso”.

*Roteirista e crítico de cinema

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VENOM: *** (Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



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