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Cultura

O olhar como tema

Miguel Rio Branco, em nova exposição, combina fotos de diversas datas e locais a formar painéis

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

“Estava muito cheio de temas”, resume Miguel Rio Branco, ao explicar a opção por fugir de focos específicos em sua nova exposição, que estreia amanhã na galeria Silvia Cintra + Box 4, na Gávea, baseada em mosaicos de fotografias diferentes, mas com aspectos em comum, especialmente em relação à coincidência de cores.

A nova mostra “Através do olhar dourado” não destaca tipos específicos, como as plantas instaladas em meio a ruínas e escombros de “Wishful thinking”, exibida ano passado no Oi Futuro, nem o universo feminino das duas exposições “Mécanique des femmes” e “Mécanique des femmes — La suíte”, também montadas na galeria da Gávea até 2015.

“Não é que nem a última, que tinha a questão do feminino, ela não tem um tema, o que também não é uma novidade. Faço tipos de construções pelo menos desde os anos 1970”, rememora o artista de 71 anos, que alia a fotografia à pintura, esculturas e instalações.

Reunindo diversas fotos diferentes de forma a elas formarem painéis, as obras expostas na Gávea apresentam tons não somente dourados, como também prateados, azulados e cinzentos, mas sempre com uma luz a realçar as nuances de figuras retratadas.

Os conjuntos vão do olhar do azul à sépia do olhar de um cavalo e superfícies cobertas por faixas de espumas, ondulações na água ou limo em árvores – no painel que dá nome à mostra – ao dourado de sombras de pessoas ou o próprio brilho da luz solar sobre paredes e calçadas de “Sombras Canarias”, que remete às Ilhas Canárias, da Espanha, onde Miguel, filho de diplomata e tataraneto do Barão do Rio Branco, nasceu, em 1946, tendo vivido, durante a adolescência, também em Portugal, Estados Unidos e Suíça – onde expôs pela primeira vez, em 1964, como pintor autodidata, em Berna.

Já “Voo seco” combina de réplicas de aviões e helicópteros a cercas e paisagens arenosas em tomadas aéreas. Em todas elas, muitas sem nenhuma conexão específica, o que se expressa mais importante é a boa combinação de formas e cores, que constituem os “quadros” em exposição.

“Não fiz as fotos para expor juntas agora. Tem umas de dez anos atrás, outras que fiz ‘ontem’...”, conta Miguel, que, de 1978 a 1982, fotografou para a consagrada agência americana Magnum. “Juntá-las para fazer cada peça, sim. Faz parte do trabalho, você escolher as coisas, de forma a representar o que pretende”, prossegue.

“Os critérios seguem sempre minha linguagem. Cada foto escolhida tem uma beleza, que se exprime nas cores sempre. Umas mais para o laranja, outras em vermelho, ocre, mais claras também, sempre conforme a cor, a luz”.

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SERVIÇO

MIGUEL RIO BRANCO – ATRAVÉS DO OLHAR DOURADO Galeria Silvia Cintra+Box 4 (R. das Acácias, 104 - Gávea; Tel.: 2521-0426). Seg. a sex., de 10h às 19h; sáb., de 12h às 18h.

De 27/9 a 27/10. Entrada franca.

 



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