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Obituário: Paul Virilio, 86

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O filósofo, arquiteto e ativista social francês, Paul Virilio, de 86 anos, morreu no último dia 10, mas sua família, respeitando a sua vontade, só divulgou a morte nesta segunda-feira, após realizar o sepultamento em cerimônmia restrita.

Virilio foi um dos principais ensaístas sobre os meios de comunicação, a “guerra da informação” e o mundo cibernético. Ele se considerava um “revelacionário”, em contraste com revolucionário. E alertava que não pretendia travar o progresso da internet, mas apenas mostrar os riscos que a sociedade insiste em ignorar de uma eventual catástrofe informática que lance o mundo no caos.

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Paul Virilio (Foto: AFP)

Filho de um comunista italiano e de uma católica francesa, Paul Virilio nasceu em Paris, em 1932, e a sua infância ficou marcada pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial, que testemunhou em Nantes. Uma experiência que contribuiu para a sua consciência da fragilidade de um mundo urbano, cuja solidez tendemos a dar por garantida.

Com formação de vitralista obtida na École des Métiers d’Art de Paris, ele realizou trabalhos em várias igrejas francesas, e estudou depois com Raymond Aron e com o filósofo e musicólogo Vladimir Jankélevitch, na Sorbonne, e colaborou com artistas como Henri Matisse ou Georges Braque. Virilio foi ainda editor da revista do grupo Architecture Principe, professor e diretor da Escola de Arquitetura de Paris.

No Brasil, publicou livros como “Velocidade e política” (1996), “A bomba informática” (1999) e “Estratégia da decepção” (2000).

Em 2000, o urbanista inaugurou no Japão o Museu das Catástrofes, projetado e dirigido por ele.

Segundo sua filha Sophie Virilio, ele estava escrevendo um livro com o historiador Jacques Arnould, que ainda deve ser publicado.



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