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Cultura

O tabu da impaciência: confira crítica de 'Limites'

Jornal do Brasil RODRIGO FONSECA *, Especial JB

Entregando-se ao bom humor das curvas cômicas tomadas pela cineasta californiana Shana Feste, ao volante dos road movies, encontra-se um parentesco inusitado entre seu “Limites” e o cult alemão “Toni Erdmann”, da diretora Maren Ade. Há semelhanças no atalho que ambos tomam até a trilha do constrangimento familiar. Como se via na aclamada comédia germânica, o problema aqui (também) é a existência de um pai “cuca fresca” no caminho de uma mulher sisuda, focada em dar as costas para os sentimentos. Na iguaria da Alemanha, uma executiva lidava mal com a aproximação de uma figura paterna abilolada. Já nesta agridoce coprodução Canadá-EUA, pilotada pela realizadora de “Onde o amor está!” (2010), Vera Famiga (uma das mais versáteis atrizes de Hollywood na atualidade) é uma mãe solteira obrigada a ser babá de um coroa metido a garotão: Jack (o gigante Christopher Plummer, irônico como sempre).

Macaque in the trees
Vera Famiga é obrigada a escoltar o pai, Christopher Plummer, pela América (Foto: Divulgação)

A obsessão de vender drogas faz de Jack um peso no ombro de sua filha: a contragosto, Laura (Vera) terá de levá-lo pela América. A jornada de “Boundaries” (título original do longa), com sua narrativa 100% proscrita à cartilha dos “filmes de estrada”, margeia as fronteiras da redenção. Mas o acerto de seu roteiro está em saber promover um ensaio crítico sobre as impaciências nossas do dia a dia. E, de brinde, ele nos traz de volta Christopher Lloyd, o Dr. Emmett Brown da franquia “De volta para o futuro” (1985-1990), numa divertida aparição. É pena só a fotografia aqui carecer de viço: os enquadramentos são burocráticos.

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LIMITES: ** (Regular)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



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