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Cultura

Tecnologia ao alcance de todos

Multiverso tem intervenções, instalações interativas, performances e oferece cursos para crianças e adultos

Jornal do Brasil MÔNICA LOUREIRO, monica.loureiro@jb.com.br

Projeto carioca pioneiro, dedicado a uma área da cultura digital ainda pouco explorada no Brasil, o Multiverso começa hoje, às 17h, no Oi Futuro, no Flamengo. O festival de arte generativa ­- obras de arte sintetizadas e construídas a partir de sistemas previamente definidos - e creative coding (tipo de programação computacional de cunho mais lúdico e artístico) terá intervenções urbanas, performances, instalações interativas, masterclasses, minicursos e oficinas para adultos e crianças. “Mais do que uma exposição de tecnologia, queremos formar novos artistas e mostrar como soluções tecnológicas simples podem potencializar tanto o nosso dia a dia como iniciativas artísticas”, diz a produtora cultural e coordenadora-geral, Gisele Andrade, destacando que todas as atividades são gratuitas.

A ideia do Multiverso surgiu entre um grupo de amigos que promovem eventos em espaços públicos e que, pela falta de recursos, acabam lançando mão de tecnologia para “gambiarras” que fazem funcionar estruturas como som e luz. “Alguns trabalham profissionalmente com isso, como é o caso do Igor Abreu, programador e artista responsável pela curadoria”, comenta Gisele.

Segundo o curador, o Multiverso é um espaço onde novas técnicas de produção são sequestradas da engenharia contemporânea, para serem utilizadas junto a técnicas artísticas antigas na produção de novos artefatos. “Códigos de algoritmos, circuitos eletrônicos e telas compostas por milhares de pixels se juntam a tintas, telas de tecido, esculturas, linhas, origamis, versos,música e teatro”, enumera Igor.

A abertura acontece hoje, das 17h às 22h, no Oi Futuro, com bate-papo com o curador e os artistas Alberto Harres, Caio Chacal, Gabriela Castro, Harrison Mendonça, Marlus Araújo, Tainá Simões, Tom Huet e Javier Scian. “Nós ganhamos o edital do ano passado e, com isso, os artistas puderam fazer um ano de residência”, explica Gisele.

Na ocasião, o argentino Jorge Crowe, que vem pela primeira vez à cidade, faz uma apresentação de Ludotecnia, performance audiovisual em que brinquedos e dispositivos eletrônicos criam imagem e som em tempo real. Outro destaque da abertura será o coletivo Kinetic.Lab, onde um duo de bailarinos interage com videoarte em tempo real. Após a apresentação, a estrutura de projeção ficará disponível no saguão, para que o público possa interagir.

Macaque in the trees
O argentino Jorge Crowe apresenta sua performance audiovisual, “Ludotecnia” (Foto: Divulgação)

No dia 16, acontece o Circuito Expositivo, na Praça Mauá, quando as instalações interativas, performances e intervenções artísticas do projeto serão apresentadas de forma interligada, das 15h às 21h. Entre os trabalhos, há a escultura luminosa Bicho, inspirada na lenda do boitatá, e o Aeroscópio, com pipas tridimensionais que promovem uma visualização inusitada de formas paramétricas para os visitantes, ao mesmo tempo em que dependem de fatores naturais locais.

Já o Flipper de Rua vai criar uma arena de jogos para conectar diferentes gerações e reavivar as memórias dos antigos fãs do gênero arcade. Gisele avisa que depois todos ficarão disponíveis on line pelo www.multiverso.cc.

A obra “Quanta – Trajeto orquestrado”, de André Anastácio, Igor Abreu, Alberto Harres, Carlos Oliveira e Vitor Zanon, será instalada no dia 4 de outubro na Central do Brasil. Um dispositivo em 12 catracas que dão acesso às plataformas dos trens será acionado à medida em que os passageiros passarem por elas.

Dessa forma, música/narrativa será escrita de acordo com o tráfego das pessoas. Nessa composição randômica e infinita, os passageiros tornam-se parte de uma orquestra viva e pulsante. “Os passageiros certamente vão perceber que eles estão gerando os sons. Tudo será filmado”, diz Gisele.

Durante o projeto, haverá a realização de oficinas aos sábados, entre os dias 15/9 e 20/10 no LabSônica do Oi Futuro. Já as masterclasses acontecem no teatro do mesmo local e os cursos, na Arena Dicró, na Penha Circular, e no Imperator, no Méier.

No dia 27 de outubro, último dia do festival, das 14h às 20h, os artistas vão criar uma intervenção artística para a Praça Carlos Del Prete, sob o Viaduto Engenheiro Noronha, em Laranjeiras. O Colaboratório Multiverso será realizado em parceria com a Ocupação Cultural Viaduto de Laranjeiras, que promove eventos regulares no local.

“Somos meio cientistas malucos mas, o que queremos, na verdade, é provar que o aprendizado, mesmo ligados a matérias duras como física, química e matemática, pode ser lúdico e popular”, resume a coordenadora.

SERVIÇO

MULTIVERSO - Oi Futuro Flamengo (R. Dois de Dezembro, 63 –Flamengo; Tel.: 3131-3060). Abertura hoje, às 18h. Dia 16/9: Circuito expositivo na Praça Mauá, das 15h às 21h. Dia 4/10: Intervenção na Central do Brasil, das 7h às 10h. Até 27/10.



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