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Cultura

Mergulho na tradição alemã

Filarmônica de Dresden apresenta concerto para piano de Beethoven

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Em dois dos últimos três Concertos Internacionais Dell’Arte, duas orquestras de tradição da Alemanha mostrarão no Theatro Municipal peças de Beethoven, Bruckner e Brahms, hoje e na próxima segunda-feira.
A Filarmônica de Dresden apresenta o “Concerto para piano nº 5, opus 7”3, de Beethoven, com Herbert Schuch no piano solo, e a” Sinfonia Nº 3 em ré menor”, de Bruckner. O programa dialoga com a dinâmica da orquestra fundada em 1870 na cidade do Sudeste alemão. Com Kurt Masur e Carl Schuricht no histórico de seus regentes, a filarmônica conseguiu preservar seu “som de Dresden”, do romântico germânico, mas abre seu estilo ao barroco e à primeira escola de Viena.

Esta variedade se mostra na escolha do repertório de hoje. Chamada “Sinfonia Wagner”por ser inspirada no estilo de composição de Richard Wagner (1813-1883) - porém apenas instrumental - a obra de 1873 do vienense Bruckner respira o romantismo alemão. Já o “Concerto do imperador”, de Beethoven, composto em mi menor para o arquiduque Rudolf, seu patrono, em 1811, é apresentado em uma ambiência mais leve.

 

Natural de Berlim e condutor da Filarmônica de Dresden desde 2011, Michael Sanderling, 51, descreve o tradicional “som de Dresden” como um estilo “bastante profundo e grave”, presente na “Sinfonia nº 3” de Anton Brucker, muito devido à sua inspiração em Wagner, mas ressalta a variação em Beethoven.

“Quando entrei como maestro em Dresden, optei por não seguir somente o que eu conhecia da orquestra e com o que ela costumava usar em seu repertório, mas também por introduzir novos modelos de sonoridade e repertório, como espécies de ‘satélites’”, destaca Michael, filho do igualmente consagrado maestro Kurt Sanderling (1912-2011) e que iniciou sua carreira como regente em 2000, à frente da Orquestra de Câmara de Berlim.

“Então, quando você ouve o nosso Bruckner, vai reconhecer o tradicional e profundo som de Dresden, porém, em nosso recém-concluído ciclo de sinfonias de Beethoven, que gravamos para a Sony, o que se ouve é uma sonoridade totalmente diferente e quase oposta, que mescla mais brilho e transparência”, ressalta Michael Sanderling, que também tocou sob a regência de Kurt Masur, em 1987, aos 20 anos, como violoncelista solo da Gewandhaus de Leipzig.

No concerto de hoje, a oito dias de fazer 38 anos, o solista é um músico premiado por sua interpretação de outro concerto de Beethoven. Nascido em 13 de setembro de 1979 em Timisoara, na Romênia, mas radicada na Alemanha, Herber Schuch faturou, em 2013, o prêmio Echo Klassik por sua gravação do “Concerto para piano Nº 3 de Beethoven”, além do “Concerto para piano”, de Viktor Ullmann, com a Orquestra Sinfônica da WDR, regida por Olari Elts.

“Com Herbert Schuch, nós trazemos parte de uma fantástica geração mais jovem de poetas do piano”, elogia o maestro. “Como disse, vamos ouvir dois tipos diferentes de música. Beethoven compôs seu concerto [que terá Schuch como solista], diretamente para como tocava em seu piano. Já Bruckner sempre se inspirou na lembrança do som com quase três segundos de delay que ouvia na catedral de Saint Florian”, enfatiza Michael Sanderling, que já regeu a Filarmônica de Berlim no Municipal, há quatro anos, quando a orquestra apresentou outro concerto de Beethoven, para violino em ré maior, a “Sinfonia nº 1” de Brahms e “Pequena suíte para orquestra” do polonês Witold Lutoslawski (1913-1994).

De 2014, brincando, o maestro diz esperar “que o público sinta que tenhamos nos aperfeiçoado, não apenas envelhecido quatro anos”.

Tendo regido a Filarmônica de Dresden, para conduzir obras de sua autoria no século XIX, Johannes Brahms terá mostrada, segunda-feira, dia 10, uma de suas peças mais significativas, a “Sinfonia Nº 4 em Mi menor, opus 98”, pela Junge Deutsche Philharmonie – Orquestra Jovem Alemã. São músicos entre 18 e 28 anos, selecionados em escolas de música erudita de língua alemã, especialmente na própria Alemanha e na Áustria.

A regência é de Jonathan Nott, que destaca o desafio de conduzir a orquestra formada por músicos de talento individual, mas ainda pouco habituados a tocarem juntos em grandes orquestras.

“O maior desafio também é o mais gratificante de conduzir uma orquestra de jovens, que têm um grande desejo por novas experiências musicais, em especial de tocarem juntos”, enfatiza Nott. “Um detalhe interessante é que a orquestra jovem me facilita a tornar a regência mais flexível. Ao mesmo tempo, exige concentração para não deixar desequilíbrios entre partes com intensidade demais e de menos”, pondera o maestro, que, no Municipal, ainda conduzirá sua orquestra na “Sinfonia Nº 1 em Ré maior, ‘Titã’”, do austríaco Gustav Mahler.

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SERVIÇO

DELL’ARTE CONCERTOS INTERNACIONAIS
THEATRO MUNICIPAL. Praça Floriano, s/n - Cinelândia; Tel: 2332-9191. FILARMÔNICA DE DRESDEN. Hoje, às 20h. FILARMÔNICA JOVEM ALEMÃ. Segunda-feira, ás 20h. Ingressos inteiros, para ambos os concertos, a R$ 600 (plateia e balcão nobre), R$ 290 (balcão superior) e R$ 125 (galeria).



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