Brasil X Bélgica: ganhou quem mereceu. Simples

Seleção sucumbe diante do primeiro adversário que impôs dificuldades durante o Mundial

MOSCOU - No duelo entre duas equipes que se propuseram a jogar um futebol ofensivo, voltado para o gol, levou a melhor aquela que foi mais eficiente. Com uma atuação quase perfeita na primeira etapa, a Bélgica foi muito superior ao Brasil, abriu 2 a 0 e, no segundo tempo, segurou a pressão, mesmo depois de levar um gol. Ganhou quem mereceu. Simples assim. Com a vitória de 2 a 1, os belgas chegam novamente a uma semifinal de Copa do Mundo após 32 anos. Agora terão pela frente a França. 

Depois de ser sempre superior aos adversários (nenhum do primeiro escalão), mas sem nunca encher os olhos, nas quatro partidas iniciais na Rússia, a seleção encarou o primeiro time que não se intimidou diante da fama dos pentacampeões mundiais. Impecável na primeira etapa, a Bélgica se aproveitou do buraco deixado no meio-campo com a saída de Casemiro, que, suspenso, não pode jogar, para construir a vitória em 45 minutos, quando dominou totalmente as ações e poderia até ter ido para o intervalo com uma vantagem ainda maior. 

Thiago Silva e Miranda até tiveram boas atuações individuais, mas a verdade é que sem Casemiro o decantado sistema defensivo armado por Tite ruiu feito castelo de areia. Tanto que pela primeira vez desde que o treinador assumiu a seleção, em setembro de 2016, jamais o Brasil havia sofrido dois gols na mesma partida. Ou seja, ficou claro que a equipe brasileira não tinha uma alternativa à altura do jogador do Real Madrid. Foi a segunda derrota do Brasil com Tite, que não era tão infalível quanto se imaginava. Sua “infabilidade” foi por água abaixo ontem. Aliás, o que Fred e Taison foram fazer na Rússia? 

A seleção até começou melhor. Botou uma bola na trave com Thiago Silva e teve uma chance desperdiçada por Paulinho, por sinal um dos mais apagados ontem. A casa começou a ruir aos 13 minutos, quando Hazard, que teve grande atuação, cobrou escanteio e Fernandinho marcou contra. Um dos jogadores que mais ficaram marcados pelo 7 a 1 em 2014, o volante desabou após o gol. Perdeu o controle emocional e passou a errar passes de dois metros. E viu o gigante Lukaku arrancar com a bola desde a entrada da área belga até a intermediária brasileira sem conseguir desarmar o adversário. A bola sobrou para De Bruyne, eleito o melhor em campo, e o meia acertou um belo chute, aos 31, fazendo Bélgica 2 a 0. 

Uma coisa precisa ser dita. Alisson, que é pretendido por grandes clubes europeus, não fez uma única defesa difícil no Mundial. Contando com o jogo de ontem, apenas oito chutes dos adversários foram à sua meta. Três entraram. Muito pouco para goleiro tão badalado. Do outro lado, Courtois, com seu 1,99m, esteve perfeito. Fez três grandes defesas ontem, justificando, no campo, a fama de ser um dos melhores goleiros do mundo, senão o melhor. 

Mais uma vez, Gabriel Jesus não conseguiu marcar um gol. É a primeira vez desde 1974 que o Brasil sai da Copa sem que o seu centroavante titular balance a rede uma vez pelo menos. Mesmo assim, Tite insistiu com o jogador a Copa inteira. Ontem, quando percebeu, já com 12 minutos da etapa final, que precisava fazer algo diferente, tirou o camisa 9 e pôs Douglas Costa. Antes ele já tinha sacado Willian no intervalo para a entrada de Firmino. 

Com Douglas Costa atuando pela direita, a seleção viveu seu melhor momento. O camisa 7 incendiou o jogo e com ele o Brasil imprensou a Bélgica em seu campo. Fez o gol aos 30, com Renato Augusto, que entrara na vaga de Paulinho, na única jogada de craque de Philippe Coutinho ontem. 

Depois, o Brasil teve três boas chances de empatar, uma com o mesmo Renato Augusto e outras duas com Coutinho e Neymar, esta salva por Courtois com grande defesa. Neymar teve no primeiro tempo certamente uma de suas piores atuações pela seleção. Não fez rigorosamente nada e nem tecnicamente se salvou. Melhorou um pouco na etapa final, mas nada do que se esperava de um dos melhores jogadores do mundo. Deixa a Rússia com dois gols e devendo em relação ao Mundial. Adia mais um pouco seu sonho de se tornar o maior jogador do mundo. 

Brasil: Alisson, Fagner, T. Silva, Miranda e Marcelo; Fernandinho, Paulinho (R. Augusto), Coutinho, Willian (Firmino) e Neymar; Gabriel Jesus (D. Costa). Bélgica: Courtois, Alderweireld, Kompany e Vertonghen; Meunier, Witsel, Fellaini, De Bruyne, Hazard e Chadli (Vermaelen); Lukaku (Tielemans). Juiz: Milorad Mazic (Sérvia). Cartões amarelos: Fagner, Fernandinho, Meunier e Alderweireld.

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A COPA FICOU COM JEITO DE EUROCOPA

Com a eliminação de Brasil e Uruguai, o Mundial da Rússia se torna uma espécie de Eurocopa a partir das semifinais. Independentemente do campeão, a Europa chegará a seu 12º título, contra nove da América do Sul. A seleção chegou à sua quarta Copa sem título e uma constatação precisa ser feita. A última grande atuação brasileira no maior torneio de futebol do planeta foi na final de 2002, contra a Alemanha. Por sinal, a última vez em que os sul-americanos foram campeões.