Nem o isolamento dos ídolos é capaz de desanimar os torcedores pelo mundo

Quase 15.000 quilômetros separam Ecaterimburgo de Montevidéu, mas para um grupo de crianças uruguaias o gol do zagueiro José Giménez no último minuto da partida contra o Egito foi sentido bem de perto.

As crianças saíram em debandada pelo pátio da escola, alguns pulando com bandeiras do Uruguai, em vídeo filmando por uma professora e que viralizou na internet.

Três horas depois, nas ruas de Teerã, um guarda de trânsito foi alçado ao ar por torcedores iranianos, depois da seleção do país derrotar Marrocos, conquistando sua primeira vitória em Copa do Mundo em 20 anos.

Antes do apito inicial desta partida, um torcedor exibiu um cartaz no estádio de São Petersburgo exigindo que mulheres iranianas tivessem o direito de entrar no estádio para assistir ao jogo, enquanto a mais de 3.000 km de distância, na capital do país, muitas faziam soar vuvuzelas, enquanto fogos iluminavam o céu.

"Eu fiquei arrepiado", declarou o meia iraniano Alireza Jahanbakhsh após a vitória. "Não estamos no Irã, mas falei com minha família e amigos e dizem que as pessoas estão loucas nas ruas, e isso é o que importa. Com tudo que acontece no mundo neste momento, o futebol é uma das coisas mais importantes que pode fazer as pessoas felizes".

Mas, fisicamente, seleções e jogadores que disputam a Copa do Mundo nunca estiveram tão longe, ou mais escondidos, de seus fãs.

Os principais países classificados passaram a última semana se preparando em lugares cuidadosamente escolhidos, ilhados por árvores, paredes ou valas.

O Brasil está em Sochi, a 20 minutos do centro da cidade balneária, a Alemanha se hospeda em Vatuinki, a 45 minutos de Moscou, e a Inglaterra treina em Repino, a uma hora de São Petersburgo.

"Um complexo esportivo é o adequado, porque estamos aqui para praticar esporte", declarou com um sorriso o meia alemão Toni Kroos. "Nosso campo de base está muito bem. Talvez aumente um pouco a nossa expectativa para sair de férias logo".

- Vamos, Ney -

As sessões de treinamento aberto ao público foram bem recebidas pelas crianças locais, mas meticulosamente coreografadas: os torcedores precisavam apresentar ingressos, esvaziar suas mochilas e passar por detectores de metais.

Quando Neymar aproveitou os minutos finais da atividade para dar alguns autógrafos e posar para fotos, um ansioso assessor de imprensa se apressou a afastá-lo do local.

A prevenção da interação entre os torcedores e os protagonistas do espetáculo não é nova no futebol. A segurança na Rússia é muito mais estrita do que em qualquer outra sede de Copa do Mundo anterior, o que faz com que qualquer demonstração de espontaneidade seja recebida com um misto de surpresa e comemoração.

Os ingleses Kieran Trippier e Jesse Lingard lançaram algumas bolas na pista de boliche do hotel onde estão concentrados na quinta-feira e, em questão de segundos, as imagens e os vídeos viralizaram na internet.

Talvez por isso o êxtase visto em Teerã e Montevidéu seja tão comemorado. A Copa do Mundo tem um poder único de unir as pessoas e fazer com que se sintam uma parte mais tangível da história.

- Encontro marcado no bar -

Antes do merecido empate com a Argentina no sábado, os islandeses se reuniram no Zaryadye Park de Moscou para o tradicional Viking Clap, um ritual em que milhares de torcedores do país aplaudem em ritmo cada vez mais rápido para saudar seus jogadores.

O técnico da Islândia, Heimir Hallgrimsson, ainda mantém o hábito de se reunir com os torcedores em um bar antes dos jogos, um gesto 'retrô', próprio de um tempo em que os fãs do futebol, a quilômetros de distância, só se relacionavam entre eles.

"Há uma proximidade e confiança incomuns entre jogadores e treinadores da Islândia e seus torcedores, o que faz com que seja possível ir ao bar e conversar com eles", explicou Hallgrimsson.

"Isso simplesmente mostra a união entre os torcedores e o respeito que recebemos. É mais que um jogo de futebol para a torcida da Islândia. É possível ver isso em seus olhos, significa um pouco mais", afirmou.

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